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afonsonunes

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01 Jul, 2013

VÍTOR LENTO GASPAR

 

Pediu a demissão há oito meses e só hoje é que a concretizou. Claro que isso não é defeito. É feitio. Mas justifica muitos dos atrasos de que vinha sendo acusado. E também muitas virtudes que alguns lhe reconheciam.

Aposto que gostava do que fazia e do modo como o fazia. Até porque tinha a seu lado uma boa Maria. Não há homem valente e destemido que não tenha a seu lado uma boa Maria. Sempre pronta a quebrar a lentidão.

Há oito longos meses que ela lhe pedia para acelerar. Ele bem tentava. Hoje desistiu e disse à Maria para ser ela a pisar no acelerador. Ela pisou e ele ficou para trás. Caminhando ao ritmo de seu feitio. Do seu pedalar.

Agora fica com o tempo suficiente para fazer as contas de modo a baterem certo. E até para lhe tirar a prova dos nove. Para onde quer que vá agora, nunca mais os portugueses lhe chamarão lento. Nem a Maria.

Maria que a partir de agora não pode mandar acelerar o lento. Tem de ser ela a ser rápida, até porque já lhe falta muito do tempo que perdeu com a lentidão. Vamos ver quanto tempo lhe resta para ir ao encontro dele.

De qualquer modo, Vítor e Maria têm um destino comum. Algures, algo espera já por ele. Algo que permite que ele vá fazendo, devagar, devagarzinho, à espera que ela chegue, para ficarem novamente juntos.

Naturalmente que isso não será por cá. Porque cá, não há futuro, com eles ou sem eles. Atrás deles e dos que também irão, virão outros que lhes dirão que lá longe disto tudo é que se está bem. E todos irão.