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afonsonunes

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E limita-se a dizer que estamos em período de defeso logo, que é proibido andar de espingarda em frente do olho. Provavelmente, vai dizer depois que todos serão julgados por não baixarem as armas.

Ou, quem sabe, por não respeitarem a voz de um coelho que tem de ser imune ao chumbo, por estar a defender o interesse cinegético. Que é, sem sombra de dúvida, de incontestável interesse nacional.

Até os seus cães de guarda, que ainda são muitos, já se voltaram contra ele e começaram a ladrar de forma ensurdecedora. Mas ele considera que a algazarra é apenas uma sinfonia de latidos de comiseração pelo dono.

Ainda espera que um dos caçadores, que é da venatória, recue e mande parar o tiroteio. Para isso, apela a que todos se lembrem dos bons almoços e jantares que outros coelhos já lhes proporcionaram.

Pobre coelho, que já vê como tudo está turvo à sua volta. Pensa que os caçadores são um bando de traidores do país. E pensa que os coelhos deviam comer os caçadores e não o contrário. É o fim da coelhada.