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afonsonunes

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06 Jul, 2013

O PROGRAMA DO DIA

 

 

Manda o calendário que hoje é sábado, 6 de Julho de 2013, dia em que, ao longo de toda a manhã e início de tarde, a comunicação social não parou de nos massacrar com as repetições da conversa da treta da crise.

14H30 – Nada de novo. Fala-se e escreve-se muito sobre governantes que entram, mas ainda não ouvi o nome de nenhum que vá sair. Conclusão lógica: ninguém vai perder o tacho, mas alguém irá ganhar um tacho novo.

15H00 – Lá fora os termómetros rondam os 40 graus. Dentro dos palácios decorre a hora da sesta. Nem as moscas, nem o ruído do ar condicionado, chegam para causar insónias. Os discursos já estão bem alinhavados.

Enquanto isso, o país tem inúmeros bombeiros a combater fogos incontroláveis. O país tem barulhentos manifestantes debaixo de calor abrasador. Nada disso perturbou o sono dos que dormem a sua sesta.

17H00 – Toca a acordar, pois chegou a hora de esfregar os olhos e saudar o futuro. Sobretudo, festejar. Festejar mais uma grande vitória. Sim, mais uma, a maior de todas as vitórias. Tudo o resto, e as eleições, que se lixe.

Afinal, parece que já há um que sai. E há dois que se transferem das direções partidárias que, à falta de voluntários, são o murcho alfobre deste governo. Temo que os dois partidos tenham de fechar secções.

19H30 – O Hotel Tivoli já acomoda toda aquela gente que não cabia em nenhum edifício público, incluindo os vários palácios. Talvez porque os mordomos estivessem de folga. Ou as águas do hotel sejam mais frescas.

Pouco depois, Passos chega ao micro e começa a falar. Portas fica ao lado e calado. As propostas saem, os comentadores agitam-se. Muitas e boas opiniões. Tal como as reações. Venham eleições. Fora com as eleições.

21H00 – O que lá vai, lá vai. Ou o governo cai, ou o governo não cai. Tudo depende de um ai, para a semana que vai, ou que vem. Mas, virá sempre de Belém, como convém. E ainda bem, pois assim, o povo se entretém.