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afonsonunes

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O país entrou num pesadelo feito de diálogos e compromissos. Até faz impressão como é que quem tanto diz que sempre teve uma postura como aquela que agora lhe é apresentada, nunca a pôs em prática.

Até faz impressão como é que, repentinamente, o presidente e os partidos do governo, acordaram cheios de pressa a querer falar com quem nunca quiseram ouvir, dando-lhe agora um abraço e depois uma facada.

Tanta pressa agora. Apenas uns dias para estabelecer compromissos que nunca, em tantos anos, foram capazes de abordar sequer. Quem é que, de boa-fé, acredita que isto não seja apenas e só, pura perda de tempo.

Quem sempre tem passado os dias e os anos a espetar facas nas costas de quem, esporadicamente, recebe um sorriso, um beijo, um abraço, uma mão no ombro para, de repente, se sentir desfalecer nos seus braços.

Realmente, no meio de toda esta hipocrisia, até há quem não se importe de morrer, depois de ter um dia de felicidade aparente. Até há moribundos que sorriem para alguém que julgam poder levar consigo.

Entretanto, ali ao lado, os abutres espreitam. O povo, de olhos esbugalhados, não acredita no que vê, mas sente que alguém tenta convencê-los de uma seriedade a que ele chama de malandrice.

E, malandrice, é um termo muito suave para as circunstâncias presentes. Anda meio mundo a tentar enganar outro meio. No meio de tudo isto, só pode dizer-se que o ambiente é de cortar à faca. E facadas não faltam.