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afonsonunes

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16 Jul, 2013

A FEBRE DIALOGANTE

 

Finalmente, há que reconhecer que Cavaco instituiu no país, o salutar vício do diálogo entre os partidos políticos. Já não era sem tempo, depois de tanto tempo calado e a chutar bolas para fora, mesmo sem apanha-bolas.

Agora tudo mudou. O país está salvo da banca rota que este governo herdou do anterior, mas logo pagou e nos salvou, mas também da banca rota que ele criou a seguir. Agora, é a vez de o PS retribuir e salvar o país.

Pelo que me foi dado deduzir através da comichão que me chegou ao dedo mindinho esquerdo, o PS fartou-se de pedir papéis na reunião de hoje. Assim, a ministra das finanças andou a tarde inteira aos papéis.

Também concluí que os dialogantes do PS pediram toda essa papelada para a levar ao diálogo seguinte, com o também dialogante Bloco que, pelos vistos, quer virar mais à direita se o PS virar mais à esquerda.

Enquanto o Bloco quer livrar o PS das más companhias em que se meteu, o PS quer garantir que vai ter diálogo assegurado, mesmo que falhem as atuais dialogações de salvação de náufragos, se estes não sobreviverem.

Neste caso, será o tempo de Portas falar, ainda que fique a falar sozinho. Mesmo assim, vai ser interessante saber o que é que ele engendrou neste tempo de silêncio, depois de saber que ninguém lhe vai pedir contas.

Nem seria justo, pois se ainda não lhe pediram nada de outros tempos, como ainda ninguém pediu nada a outros do mesmo tempo, Portas, tal como outros o fizeram, devia exigir já, o que já deram a outros piores.  

Afinal, estamos, nós e todos eles, pendurados desta febre dialogante que só tem dado para lhes encher os pulmões de ar fresco, enquanto o pagode vai sufocando, a ponto de já nem poder molhar a goela seca como palhas.