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afonsonunes

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25 Jul, 2013

PODRIDÃO

 

Este palavrão foi agora trazido à ribalta por um senhor que estava calado há trinta anos, depois de muito ter sido fustigado com todos aqueles mimos que indiciam o estado de um corpo contrário a uma alma em paz.

Precisamente agora que já ninguém se lembrava dele e dos seus propalados indícios de podridão, eis que aparece num lugar que devia ser o exemplo de tudo o que é são e transparente, a reviver o seu passado.

O senhor da podridão quis, provavelmente, transferir alguma dela de dentro de si próprio para alguém, ou alguns, que não identificou, bem ao estilo daqueles a quem acaba de se juntar e dos seus antigos parceiros.

Dentro das instalações da mais alta magistratura da república não podia e não devia acontecer tamanha desfaçatez. A podridão não devia entrar ali, sobretudo, numa cerimónia em que as palavras sujas deviam ficar à porta.

Bem basta que elas sejam o pão nosso de cada dia, cá fora e dentro de tudo o que é ocupado por quem manda, por quem domina quem manda e por quem passa a vida a tentar meter-se nesse meio fedorento.   

Tratando-se da posse de um governo, de um governante novo agora, mas velho de outros tempos, bem podia ter poupado o lugar de onde ia sair, para se comportar à altura de representante do país, dentro e fora dele.

Tanta falta de contenção, depois de tanta alegria e de tantos gracejos que tornaram a cerimónia numa das mais animadas e risonhas de todos os tempos. Toda a gente se beijou e abraçou de olhos e dentinhos a brilhar.

Sabendo-se que a podridão é geral, compete a quem governa combatê-la com todos os meios e em todas as circunstâncias. Tirá-la de si próprio, lançando-a para outros, é sintoma de que bem se conhece o que se tem.

PS: O que temos e vamos ter por muito tempo é a sociedade, Portas, Passos & Luís, Limitada.