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afonsonunes

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Depois de dois anos sempre a descer rumo ao fundo do poço, eis que nos anunciam a boa nova de que já conseguimos ter o nariz acima do lodo, de modo a respirar minimamente e olhar lá para cima. Para o local da queda.

Já conseguimos, dizem-nos, por o país a crescer. Só não nos dizem o quanto o fizeram descer. Depois de descer dez metros, já estão a comemorar o facto de terem recuperado alguns centímetros.

Há quem lhe chame indícios de crescimento e há quem lhe chame sinais de retoma. Mas também há quem lhe chame novo ciclo, ou a vitória de um sucesso conseguido com muito saber, esforço e inteligência.

Quem nos levou ao fundo do poço considera que já nos salvou do afogamento. Que já nos garantiu a sobrevivência. Mas não pensa que tem a obrigação de nos levar ao nível do solo, que foi de onde nos atirou.

Se tem efetivamente a intenção de nos salvar, tem de levar-nos ao ponto em que nos empurrou. Se tem a intenção de nos manter no fundo, com mais palmo menos palmo de lodo abaixo do nariz, pare com os foguetes.

Ora vamos lá crescer. Mas crescer para o nível da dignidade. Não apenas para o nível da sobrevivência. Se não há dinheiro, vão tirá-lo a quem no-lo tirou. Já sabem quem foi e quanto tirou cada um deles. A coragem está aí.

Estamos fartos de ouvir dizer que são poucos, que não chegam. Comecem por eles. Ou que não é legal. Mas também não é tudo legal o que estão a fazer à generalidade dos portugueses. E fazem-no. Traiçoeiramente.