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afonsonunes

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Quando me encontro à beira mar não me canso de virar os olhos para o céu e olhar com verdadeira paixão os bandos de aves migratórias que, a determinadas horas e em determinadas épocas, fazem dos ares da orla marítima uma autêntica e infindável passerelle, onde o suave e lento bater das asas parece o leve passeio do modelo que desfila. É um filme que só termina para os meus olhos, quando o pescoço não aguenta mais tão incómoda posição.
Essa é uma espécie de bandos bons que, lá do alto, nos ignoram, porque os bandos que elas vêem cá em baixo, ainda não se lembraram de virar as caçadeiras na sua direcção. Elas, as aves migratórias, não sabem, mas nós sabemos, que há cada vez mais elementos em bando, a disparar contra tudo quanto mexe à volta deles, quantas vezes pelo simples e estúpido prazer de premir o gatilho.
Essa é uma das espécies de bandos maus, que ceifam vidas por dá cá aquela palha, ou infernizam a vida de tanta gente, só porque estava no local errado, à hora errada. Vai sendo cada vez mais difícil acertar no local onde se pode respirar de pleno direito, sem ter de concentrar permanentemente a atenção, em todos os pequenos bandos que nos rodeiam. A vida já não é para ser vivida, pois viver tornou-se um acto de fuga aos riscos que nos ameaçam a todo o momento e em qualquer lugar.
Os pacíficos bandos de cidadãos não passam de seres migratórios dentro das grandes cidades, correndo até à paragem dos transportes públicos, ou à saída deles, sempre de olho posto nos supostamente dissimulados elementos de bandos reais ou imaginários. Porque a imaginação já suplantou os olhos na descoberta de vulgares bandidos que nos acompanham nas corridas a que a vida nos obriga no dia a dia.
A vida em bando tornou-se um escape para uma juventude ansiosa e insaciável, sempre em busca de novas formas de matar o tédio e fugir às convencionais secas da educação e da rotina familiar, ambas demasiado paradas para o desejo de antecipar acontecimentos que não conhece, tal como não quer conhecer as consequências que, eventualmente, lhe venha a trazer.
Os bandos são ainda uma forma de ultrapassar fraquezas individuais, de criar estados de espírito que se não têm a sós, de derrubar barreiras e complexos, de seguir e imitar bons contadores de aventuras apetecidas, que se apresentam como descobridores de um paraíso que pode encontrar-se ali, ao virar da próxima esquina. Paraíso que pode ser uma simples tasca das antigas, onde a sujidade e a higiene não conseguem coabitar. Onde um ‘tasqueiro’ sem escrúpulos não tem mãos a medir e os engana com o pretexto de vender tudo quase de borla. Onde se criam e desenvolvem os vícios dos bandos, tantas vezes a origem de coisas inexplicáveis.
Nos campos andam bandos de pardais à solta. Devastadores de culturas, mas integrados no vasto conjunto de regulação do meio ambiente. Nas cidades andam bandos de certa gente, que só desregulam a vida de toda a gente.
 
 
 
Não são bandos de pardais
Quando me encontro à beira mar não me canso de virar os olhos para o céu e olhar com verdadeira paixão os bandos de aves migratórias que, a determinadas horas e em determinadas épocas, fazem dos ares da orla marítima uma autêntica e infindável passerelle, onde o suave e lento bater das asas parece o leve passeio do modelo que desfila. É um filme que só termina para os meus olhos, quando o pescoço não aguenta mais tão incómoda posição.
Essa é uma espécie de bandos bons que, lá do alto, nos ignoram, porque os bandos que elas vêem cá em baixo, ainda não se lembraram de virar as caçadeiras na sua direcção. Elas, as aves migratórias, não sabem, mas nós sabemos, que há cada vez mais elementos em bando, a disparar contra tudo quanto mexe à volta deles, quantas vezes pelo simples e estúpido prazer de premir o gatilho.
Essa é uma das espécies de bandos maus, que ceifam vidas por dá cá aquela palha, ou infernizam a vida de tanta gente, só porque estava no local errado, à hora errada. Vai sendo cada vez mais difícil acertar no local onde se pode respirar de pleno direito, sem ter de concentrar permanentemente a atenção, em todos os pequenos bandos que nos rodeiam. A vida já não é para ser vivida, pois viver tornou-se um acto de fuga aos riscos que nos ameaçam a todo o momento e em qualquer lugar.
Os pacíficos bandos de cidadãos não passam de seres migratórios dentro das grandes cidades, correndo até à paragem dos transportes públicos, ou à saída deles, sempre de olho posto nos supostamente dissimulados elementos de bandos reais ou imaginários. Porque a imaginação já suplantou os olhos na descoberta de vulgares bandidos que nos acompanham nas corridas a que a vida nos obriga no dia a dia.
A vida em bando tornou-se um escape para uma juventude ansiosa e insaciável, sempre em busca de novas formas de matar o tédio e fugir às convencionais secas da educação e da rotina familiar, ambas demasiado paradas para o desejo de antecipar acontecimentos que não conhece, tal como não quer conhecer as consequências que, eventualmente, lhe venha a trazer.
Os bandos são ainda uma forma de ultrapassar fraquezas individuais, de criar estados de espírito que se não têm a sós, de derrubar barreiras e complexos, de seguir e imitar bons contadores de aventuras apetecidas, que se apresentam como descobridores de um paraíso que pode encontrar-se ali, ao virar da próxima esquina. Paraíso que pode ser uma simples tasca das antigas, onde a sujidade e a higiene não conseguem coabitar. Onde um ‘tasqueiro’ sem escrúpulos não tem mãos a medir e os engana com o pretexto de vender tudo quase de borla. Onde se criam e desenvolvem os vícios dos bandos, tantas vezes a origem de coisas inexplicáveis.
Nos campos andam bandos de pardais à solta. Devastadores de culturas, mas integrados no vasto conjunto de regulação do meio ambiente. Nas cidades andam bandos de certa gente, que só desregulam a vida de toda a gente.