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afonsonunes

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Dentro de casa ou na rua sinto um incomodativo e perigoso cheiro a fumo. Não sei de onde vem mas, costuma dizer-se, não há fumo sem fogo. E se há fogo, naturalmente, algo ou alguém está a arder.

Não falta por todo o país quem esteja a arder com muitos prejuízos e até quem já tenha sido mortalmente queimado. Porque os incendiários não deixam que quem combate as chamas chegue a todo o lado.

Mas, para lá deste fumo, sinto no ar um cheiro ainda mais perigoso. É um cheiro que começa a invadir o país, podendo até sufocá-lo e por em risco a sua sobrevivência. Pressinto que alguém anda a queimar a Constituição.

Que eu saiba ainda ninguém foi considerado incendiário por querer rasgar e depois queimar, o instrumento vital que protege os portugueses. Que outros países têm e defendem energicamente de todos os incendiários.

Em Portugal, todos juram cumprir a Constituição, do mais baixo ao mais elevado nível da República. Pode dizer-se que, quem jura e não cumpre, pode estar em vias de se tornar incendiário do símbolo da sua República.

Que haja incendiários de isqueiros na mão, escondidos no escuro das florestas, é coisa que vem de longe quando chega o verão. Mas, que não haja incendiários da Constituição nos mais altos gabinetes do estado.

Esses, são os que querem a sua própria constituição, feita de banalidades, ou fiscalizada por eles próprios, pois ninguém é suficientemente isento e competente para a ler ao seu jeito e segundo os seus interesses.

O país está a ferro e fogo. Cheira a fumo por todos os lados. Os incendiários andam à solta. Quem não sair queimado deste inferno, vai ficar chamuscado pelos ventos dos arautos de outros perigosos incêndios.