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afonsonunes

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05 Set, 2013

A OUTRA DEMOCRACIA

 

 

Quando a onda inovadora ainda não passava de um desejo de sonhadores, democracia queria dizer povo. Logo, os governos eram do povo, bem como todos os outros órgãos de soberania.

Com o decorrer dos tempos, a onda inovadora foi crescendo com o desejo de conquista do poder, subvertendo o sentido de tudo o que negava o acesso às mais altas instâncias de decisão e ao controle do poder do povo.

A verdadeira democracia não se sustenta na vontade de um conjunto de governantes que ganharam eleições. Porque a democracia é o povo e não os seus algozes, ainda que mascarados de modesto zé-povinho.

O povo é o inspirador de todas as decisões e o motivador de todos aqueles a quem foram atribuídas responsabilidades de representação. Sempre que não estejam a cumprir essa missão, estão a mais na democracia.

E não têm que se queixar de que estão a ser vítimas de uma outra democracia, aquela que só existe na cabeça deles. Da democracia que eles imaginaram como um sonho de virar o país e o mundo das avessas.

Na verdadeira democracia, a do povo, ninguém se sobrepões a ninguém. Cada um, pessoa, instituição ou órgão de soberania tem a sua missão. Que não admite usurpadores. Que não admite pequenos ou grandes ditadores.

O país vive nos limites de uma democracia muito adulterada. Que o mesmo é dizer, no limiar de uma não democracia, pois o poder está cada vez mais longe do povo e cada vez mais perto do poder contra o povo.

Obviamente que o poder do povo não é o poder da rua. É o poder de todos aqueles que entendem o povo como um todo do país e não um extrato social que não deve, nem pode ter direitos, que incomodem.