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afonsonunes

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Nem mais tempo nem mais dinheiro, diziam eles, tal como diziam que esta austeridade não tinha alternativas. Tal como ainda ontem diziam que estavam no rumo certo, no único caminho que levará o país à salvação.

Hoje, já deixaram de falar, com aquele ar de vitória sobre os pessimistas e sobre os profetas da desgraça, nos evidentes sinais de regresso ao crescimento e à vitoriosa luta contra o desemprego. Vinha aí tudo de bom.

Mas, pelos vistos, já não vem. Eles e o FMI erraram, mas agora, também eles, já chamam nomes ao FMI. Nomes feios aos seus professores, patrões e protetores. Eles, bons alunos, já deixaram de acreditar e confiar neles.  

Mas que raio de alunos são estes que tendo bajulado tanto os seus professores, chegando a suplantar as suas lições, chamam-lhes agora o que até aqui só chamavam a quem os contestava. Que raio de governo.

Que raio de presidente, que já pediu bom senso a quem sabe que o não ouve e não é capaz de exigir o mesmo bom senso, em primeiro lugar a si próprio, por não ter a coragem de mandar ao menos um recadito ao PM.

Que raio de gente é esta que, independentemente das suas opções políticas, não consegue acertar com um discurso sério e coerente, com medidas justas e convincentes, com verdades que não os envergonhem.

Mas, sobretudo, que não envergonhem o país. Por muito que os desavergonhados lá de fora se desfaçam em elogios que, na prática, são autênticos abraços de hipocrisia, com o punhal escondido na manga.

Estamos em período eleitoral, propício ao disparate. Quanto mais asneiras melhor, pensam todos eles. É confrangedor ver como o maior partido do governo diz tudo o que não faz. Mas que raio de partido e de governo.