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afonsonunes

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O mundo da ‘partidarite’ tem destas coisas genuinamente discriminatórias entre cidadãos que estão sujeitos a ser baptizados, ou re-baptizados, consoante a porta politica que resolvam transpor. Isto é particularmente peculiar para aqueles que o Zé convencionou apelidar de ‘vira casacas’ que, como se sabe, são muitos de quatro em quatro anos.
Transferir-se do número tantos da rua tal, para o número não sei quantos da outra rua, significa que o cidadão tem de mudar de cartão, embora ali não seja a loja do cidadão. Mas é, sem margem para dúvidas, uma outra regedoria em que faz novo assento e toma outro nome por que passa a ser tratado.
Pode passar-se de camarada a companheiro num instante, ou vice-versa. Estas são as transferências mais usuais, ou não fossem aquelas que maiores verbas movimentam, em termos de reforços dos orçamentos familiares dos transferidos, verbas deslocadas por via indirecta do orçamento estatal.
Já a intromissão dos irmãos nestas movimentações são muito reduzidas, porque irmãos não soa bem com companheiros, e muito menos com camaradas, o que não quer dizer que, de quatro em quatro anos, não aconteçam autênticas e surpreendentes migrações. Nem sequer surpreendem aqueles gestos heróicos de engolir uns sapos ainda vivinhos da costa. Mas que é lá isso, comparado com o terramoto bancário.
Os camaradas têm vindo a revelar muito companheirismo de há uns tempos a esta parte, isto à margem de qualquer entendimento com os mais companheiros que todos, que se sentem defraudados com tanta amizade de base, à revelia das cúpulas. Em contrapartida, os camaradas têm-se afastado muito dos ‘kamaradas’ que, normalmente, lhes estavam mais próximos, até por uma questão de semântica.
A verdade é que os camaradas vão reforçar-se, principalmente, aos companheiros e, ocasionalmente, aos irmãos. Mas, também vão deixando que alguns dos seus, há quem diga que são muitos camaradas, passem a engrossar as hostes dos kamaradas. Ao que dizem, descontentes por haver muitas linhas direitas na sua escrita e, imagine-se, até há quem segrede ao ouvido, que voltaram aos cadernos de linhas duplas, como se usava nas cópias da primária antiga.
Aparentemente, os companheiros não estão a ser capazes de se reforçar em parte alguma do mundo, já que isto não é como no futebol, onde se vão buscar ‘itchs’ a qualquer lado. A continuar assim, sem boas nem más entradas, e com muitas saídas, acabam por ser os campeões do mergulho, lá para o Outono do ano que vem.
Porém, isso não implica que entrem em pânico, pois os irmãos não se entendem nas partilhas internas, enquanto os camaradas e os kamaradas, com diferença de uma única letrinha, estão cada vez mais longe de trocar um sorriso, ainda que seja amarelo.
Para nosso desencanto, todas estas famílias, andam muito desavindas. Apresentam sintomas de muito nervosismo miudinho, deixando ameaças de possíveis casamentos e de prováveis divórcios.