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afonsonunes

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03 Out, 2013

CARTAS-BRANCAS

 

 

O país está cheio de responsáveis idóneos que dão carta-branca aos seus subordinados, aos seus braços direitos ou, simplesmente, aos seus amigos. Carta-branca que, muitas vezes, lhes tira um peso da consciência.

Porque, assim, atiram para cima dos ombros de outros, decisões que contêm o risco de os deixarem mal colocados. Estas eleições autárquicas revelaram casos bem paradigmáticos de quem sacudiu a água do capote.

Desde logo, a mais evidente, foi a forma como foram escolhidos os candidatos à autarquia de Gaia. Passos deu carta-branca a Menezes para os selecionar. Menezes deu carta-branca a dois - Aguiar e Amorim.

Claro quem sacudiu a água do capote – Passos – veio depois voltar a sacudir a água do capote, atribuindo as culpas dos fracassos ao seu representante Menezes. Como se o delegante fosse estranho ao delegado.

Como se o remetente da carta-branca, não tivesse nada a ver com o destinatário dessa carta. Relação que, provavelmente, veio ter a ver com o que se passou com os candidatos ao Porto. E a culpa foi de quem?

Não é difícil adivinhar que por todo o país não faltaram cartas-brancas de quem não teve a coragem, ou a visão, de prever que certas escolhas iam dar buraco. Depois, a culpa foi dos destinatários e não dos remetentes.    

Há uma carta-branca muito especial que vai assustando cada vez mais o país. Sobretudo, porque os portugueses não percebem se o PM deu carta-branca ao PR para lhe repetir o discurso, ou se é exatamente o contrário.

Pelos ecos das notícias que nos vêm da Suécia, é difícil compreender que, por antecipação, o PR tenha dado carta-branca ao PM para dizer, quando lá esteve, o que o PR disse agora. Estranhas cartas-brancas.

Igualmente estranha, mas já antecipadamente conhecida, foi a carta-branca que o governo endereçou à troika para que fizesse de nós, portugueses, o que bem lhes apetecesse. Mostrou-a hoje com música.