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afonsonunes

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O vice-primeiro-ministro, muito antes de o ser e antes até de ser apenas ministro, teve a coragem de dizer que o país estava transformado numa bandalheira a que era urgente por fim. Agora, já não fala nisso.

Nessa altura falava-se de bandalheira mas, que eu saiba, nunca se falou de bandalhos. É evidente que os havia, mas deviam andar todos muito bem resguardados para passarem desapercebidos onde quer que se metessem.

Muito estranho que passado tanto tempo, Sócrates tenha agora descoberto um bandalho, por sinal um ilustre bandalho, quando podia ter falado de muitos outros que, certamente, ele não deixará de conhecer.

Certamente que não deixará de aproveitar outras oportunidades para o fazer. Ele sabe, como todos nós sabemos, a vida é como os alcatruzes da nora. Uns cheios cá em baixo a subir, outros a vazar ou vazios, a descer.

Sem ter muito a ver com verdades ou com mentiras, com boas ou más razões, mas com momentos bons ou maus para a intervenção. E o momento atual parece já ter calado muita gente e ameaça calar mais.

Mas Sócrates descobriu também agora, por sinal na longínqua Alemanha, um outro espécime catalogado com o honroso título de estupor. Certamente que, também no caso, ele deve conhecer outros, além deste.

É óbvio que até o mais desprezível dos estupores tem os seus amigos e até os seus admiradores. Mas, ninguém duvida de que qualquer estupor tem inimigos na proporção do mal que espalhou através do que fez.

Internamente, a nossa ainda jovem democracia, atingiu um ponto em que mais parece uma velha e caquética democracia, não fortalecida pelos anos, mas sofrendo o desgaste de velhos já cansados de viver nela.