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afonsonunes

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18 Nov, 2013

EXEMPLO PAPAL

 

 

Segundo uma notícia que li hoje, o papa telefonou a dar apoio a um jornalista despedido por ter criticado, nem mais nem menos, que o próprio papa. Esta notícia logo fez retinir campainhas nos meus tímpanos.

Talvez despropositadamente, mas logo me lembrei que o papa não fez nada de mais, se o seu gesto for comparado com o que se pratica por cá. Tolerância, humildade e compreensão, são atributos de qualquer político.

Mas também de qualquer moço de recados de políticos, sobretudo de governantes, que são aqueles que, nos comportamentos, mais se assemelham ao papa. Aceitam e mandam aceitar críticas com um sorriso.

Políticos e moços de recados passam os dias agarrados ao telefone a felicitar os seus adversários, não confundir com os seus inimigos, pelas sugestões e propostas que vão enriquecer as decisões dos governantes.

Os mais picuinhas até se dão ainda ao trabalho de escrever longas cartas, obviamente para poupar o dinheiro das chamadas, começando com um ‘meu caro amigo’ e terminando com ‘desejos de muitas felicidades’.

Assim é que é. Não é só ir à missa ao domingo e usar constantemente frases como ‘valha-me Deus’, ou ‘Deus me ajude’, ou ainda ‘se Deus quiser’. Tudo para mostrar ao papa que por cá também se tem muita fé.

Se isso é importante para as oposições, é muito mais importante para a presidência e para o governo. Eles são as imagens ‘quase sagradas’ aos olhos dos crentes contribuintes e, sobretudo, dos crentes eleitores.

Nesse aspeto, Portugal e os portugueses não têm razões de queixa. São queixinhas por natureza, mas não têm razão. Porque são resilientes por obrigação, patriotas, por dever e brincalhões por desportivismo.    

Portanto, o papa Francisco, o grande inovador para o mundo cristão, já está em falta com os mais fervorosos praticantes portugueses. Eles merecem já de Sua Santidade, uma ou mais palavras abençoadas.