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afonsonunes

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Nos tempos conturbados que atravessamos, predominam os profissionais de tenras idades, em tudo quanto é vida ativa do país. Gente com um sentido de verdadeiro venha a nós, porque as vidas estão difíceis.

Por vezes chego a pensar que esta gente, gente nova, gente boa, ou boa gente, está a pensar que não há vida como aquela que viu seguir a determinados amadores de outros tempos. Que nem abafar sabiam.

Mas já sabiam, e bem, que tinham de abafar tudo o que lhes viesse à mão. Talvez porque receassem que mais tarde, alguém estaria com os olhos postos neles. E oportunidades perdidas era coisa que eles não queriam.

Depois, abafaram e bem, não com profissionalismo, mas com aquele amadorismo que hoje deixa que se veja toda a ligeireza com que tanto abafaram, sem a menor preocupação de esconder os seus feitos éticos.

Muitos deles ainda andam por aí, curvados ao peso de tanto dinheiro que carregam sobre o dorso. E falam de outros, como se esses outros fossem eles próprios. E têm os seus admiradores, que fazem iguais confusões.

Novos profissionais, velhos amadores. Uns e outros, afinal, entendem-se muito bem. Os profissionais do sonho querem vir a ser como os amadores realizados. Gente que só quer abafar tanto, como quem já abafou.

Quanto aos que nada têm a ver com isso, andam de olhos esbugalhados a olhar para tanto descaramento e para tantas confusões convenientes. Que só não vê quem não quer. Mas ver, não é poder acabar com elas.

Talvez porque os velhos curvados ao peso do dinheiro e seus admiradores, igualmente velhos, tenham na justiça uma complacência misericordiosa para com eles. Do que têm nada se tira. É o respeitinho pelas pantufas.