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afonsonunes

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Portugal é exatamente o contrário, um país sem respeito por ninguém e no qual ninguém, ou muito poucos, se sujeitam a respeitar o país. Porém, esses muito poucos, têm a noção de que há que acabar com muita coisa.

Acabar com essas coisas que os reguilas, os refilões, os contestatários, não se cansam de fazer. Principalmente, quando o fazem em bandos ruidosos, com cornetas, megafones, cartazes e gritaria. Muita gritaria. E asneiras.

Claro que os poucos que querem acabar com estas coisas, no momento atual, ficariam felizes e dormiriam mais descansados. Afinal, eles não resolvem o problema com tampões nos ouvidos, nem chamando a polícia.

O país ficaria em sossego e em paz, com todos os desempregados caladinhos, em casa, à espera da sopinha que alguém trará. Os estudantes estudariam no banco do jardim, sem dinheiro para livros e propinas.

Os poucos que ainda trabalham, terão de o fazer dia e noite, para que não tenham de se ocupar com despesismos nas horas vagas. Terão de aceitar de cara alegre, os trocos que a entidade patronal lhes disponibiliza.

Como Portugal é um país de respeito, não se pode levantar a voz a ninguém, nem aos que não gostam destes, para eles, malcriados e tumultuosos cidadãos. Que não passam de estropícios da sociedade.

Portugal não pode ter uma Constituição tão benevolente para os perturbadores e tão restritiva para os perturbados. É preciso acabar com a Constituição para que não esteja sempre do lado de quem não a merece.    

Assim, a palavra liberdade está completamente dessincronizada com o seu verdadeiro sentido. A liberdade só tem sentido se for apenas para quem está calmo, quieto, silencioso, obediente, bem-educado, resignado.

Portugal é um país de respeito. Mas, para que o seja na perfeição, os seus cidadãos, todos eles, têm de ter a coragem e o sacrifício de não oferecer resistência a todos aqueles que não têm respeito nenhum por eles.