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afonsonunes

afonsonunes

03 Dez, 2013

QUEM?

 

 

Fiquei muito surpreendido por saber que os portugueses já não vivem acima das suas possibilidades, tal como os espanhóis. A descoberta é dum tal de Olli Rehn, algures a sentenciar lá para os lados de Bruxelas.

E então, cá estou eu a magicar por que carga de água nos vão lixar com mais cortes e recortes para o próximo ano. E por que, mansamente, acabam de empurrar para a frente com a barriga seis mil e tal mil milhões.

Se nos dizem todos os dias que já fizeram poupanças sem fim, em mil e uma operações de faz de conta e, se já puseram o país a pão e laranjada há tanto tempo, já devia haver uns dinheiritos para qualquer coisita.

Mas, voltando ao tal de Olli, já me lembrei de lhe perguntar a que portugueses se referia quando disse que já vivem como deve ser. No entender dele, óbvio. É que há muita maneira de viver bem em Portugal.

E sem lhe fazer inveja por termos vivido muito bem, pois é de calcular que ele nunca viveu melhor que os sortudos portugueses. Talvez ele só conheça os que constam da lista dos mais ricos. Assim, já compreendo.

Senão, tenho de lhe telefonar a perguntar a quem é que ele se refere. Não é com certeza aos que vivem debaixo das pontes e recebem a benesse de uma sopinha diária que os portugueses pagam nos peditórios.

Ou dos que vão às misericórdias, de garruço enfiado na cabeça até aos olhos, para não serem identificados, receber uma refeição que o estado paga com o dinheiro que poupa nos muitos subsídios retirados.

Sabemos que o tal de Rehn conhece bem todos aqueles que, de facto, viviam e ainda vivem, abaixo das suas possibilidades. São todos aqueles que não conseguem gastar o que lhes chega às mãos. Nem sempre bem.

Com esses, o tal de Olli não tem tempo a perder, nem que seja através de umas simples palavrinhas de apelo a quem lhes pode fazer o mesmo tipo de justiça que é feita aos que viveram acima das suas possibilidades.