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afonsonunes

afonsonunes

09 Dez, 2013

Fechem essa porta

 

 

Com este frio e de porta aberta, tal iniciativa não lembraria a alguém em seu perfeito juízo, mesmo com a braseira acesa. Dantes era assim, mas agora com estes potentes ares condicionados até o gelo da rua derrete.

Segundo foi anunciado, os tribunais vão estar de porta aberta. Não conheço os resultados da iniciativa, mas não me custa nada acreditar que vão ter lotação esgotada. Os portugueses adoram ir aos tribunais.

E então com este clima de tremelicar os beiços, o tribunal é um refúgio para aquecer o coração de toda a gente inconformada com os atropelos que a vida lhe dá. Porque ali, vai encontrar mil razões para não voltarlá.

Porém, como em tudo na vida, há quem não tenha frio. Quem não precise de refúgio. Quem tenha sempre o coração e os lábios bem quentes. Para esses, a porta do tribunal está sempre fechada. E ninguém os fará entrar.

É claro que a porta esteve aberta, aliás como em todos os dias. O ar condicionado talvez estivesse mais ativo. Talvez até houvesse sorrisos. Mas os clientes não devem ter deixado de bater o dente, mesmo sem frio.

Quanto aos visitantes, devem ter ouvido histórias de encantar. A justiça que é feita aos pobres que dela precisavam. As injustiças que sofrem os que têm bons advogados. As sentenças que deram felicidade a todos.

Aposto que ao sair do tribunal, neste dia de frio de rachar, houve gente que saiu do tribunal e sentiu um grande alívio ao pisar o chão da rua, onde o gelo não derreteu. Onde a porta aberta não deixou sair o calor interior.

Mas, sobretudo, onde, lá dentro, continuaram a ser notadas ausências de quem não liga ao facto de ter a porta do tribunal aberta. Porque, os que abrem a porta, já sabem que por ela não passam os que eles protegem.

Mas que frio que está lá fora. É uma injustiça ser sempre os mesmos a sentir que a porta está aberta, sabendo que é mesmo apenas para eles passarem. Daí a justiça do seu apelo: por favor, fechem essa porta.