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afonsonunes

afonsonunes

28 Dez, 2013

PARABÉNS, PÁ!

 

 

Começo por confessar que tenho uma grande admiração por ti. Não consigo encontrar quem, tanto como tu, seja um apaixonado febril de alguém que só não corta pescoços por medo que lhe cortem o seu.

Aliás, tu como esse teu ídolo, estás convencido que nos podem cortar tudo na maior, pois tudo o que temos, das unhas dos pés à ponta dos cabelos da cabeça, é para cortar. Desde que não comecem a cortar no teu.

Na verdade, tu não és só um febril apaixonado: és uma obsessão em forma de gente, para quem o mundo está todo errado, com uma única exceção: a tua suprema inteligência e a tua inegável visão das pessoas.

É por seres espécime único e inimitável na humanidade inteira, que te admiro tanto, apesar de não conseguir partilhar nada, mas absolutamente nada, com a tua pessoa, abaixo de todos os princípios por que me norteio.

Dantes, atiravam-se pessoas às feras famintas que as destroçavam e comiam perante gente ululante que queria ver atirar mais e mais gente para lhes saciar a vista. E adulava-se quem dava as ordens sanguinárias.

Hoje, as feras são outras, mas só não cortam pescoços, porque ainda há quem não deixe. Mas tu pululas por quem os quer cortar. Estás em pulgas por ver um espetáculo de dor e morte. Já vibras dos pés à cabeça.

Amigo, mesmo assim, repito que sou teu admirador. Provavelmente, sou alguém que tem uma tara qualquer. Mas não admiro mesmo nada quem tu adoras. Quem tu acabarás, mais tarde ou mais cedo, por odiar.

A menos que nunca te cortem nada como o teu ídolo já cortou a quase toda a gente. Quase, como bem sabes. Podes endeusar quem quiseres, mas lembra-te que a razão e o pensar, não são apenas atributos teus.

Depois, quando te referires aos ignorantes que não seguem casmurrices, parvoíces e outras sandices, lembra-te que toda a gente merece respeito. Até tu, imagina. Como diz o povo, o respeitinho é uma coisa muito bonita.