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afonsonunes

afonsonunes

02 Jan, 2014

DELÍRIOS

 

 

Os anos vão passando mas os delírios não, como se não fosse possível tirar ilações do que tem sucedido ao país. De delírio em delírio, os delirantes tentam insistentemente convencer-nos de que o problema não é deles.

E lá continuam ano após ano a soprar para o lado, sem que nenhum deles tenha a coragem, que seria também o bom senso, de colocar o dedo na ferida, começando por acabar com delírios e falar séria e honestamente.

Continua a inútil treta dos consensos como se esse delírio não estivesse já totalmente esclarecido e comprovado. Só pode haver consensos quando as partes aceitam negociar na base da boa-fé e da cedência mútua.

Não interessa trazer para aqui, aquilo que toda a gente conhece. Aquilo que constitui a grande sede de poder para impor interesses que estão bem à vista. Interesses que colidem sempre com os de quem os elegeu.

Mas interessa ver a cegueira de quem diz sempre a mesma coisa. Que diz que faz, o que nunca vai fazer. Que diz que quer, o que nunca vai aceitar. Que diz pretender construir aquilo que sempre tentou destruir.

E foi tanto o que já se destruiu que, por mais que nos queiram meter ilusões de reconstrução à frente dos olhos, vamos ter ruinas à nossa volta durante anos intermináveis. Pois, vindo do delírio, nada podemos esperar.   

Já agora, apetece-me deixar aqui exarado o meu penúltimo delírio, a quem tanto deseja consensos. Juntem-se todas as partes e aceitem unir-se para bem do país. Mas, à volta de um governo saído de novas eleições.

Mas, o meu último delírio vai para as Ilhas Selvagens, onde as cagarras se devem sentir muito sós e muito isoladas. Daí que eu tenha sonhado com uma mensagem de ano novo só para elas. Tão felizes que ficaram.

Delírios evidentes. Porque o bom senso é outro. Temos de nos unir à volta de um programa de governo que nos dê miséria como benesse, para além de um novo sistema com laivos ainda ténues de ditadura e de escravatura.