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afonsonunes

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Cada vez que o país sofre um abanão aparecem logo os valentões que pensam que podem deitá-lo abaixo. Nem sequer imaginam que também eles fazem parte do bom ou mau país que temos, o que significa que, se conseguissem os seus intentos, lá iam eles atrás daqueles que tanto desejam ver borda fora.
A verdade é que o país que temos, não foi feito agora, nem foi feito por duas ou três dúzias de malvados que surgiram não se sabe de onde, de pistolas em punho, e tomaram conta disto, depois de disparos em todas as direcções. Este é um cenário que, muito provavelmente, agradaria a um certo tipo de democratas que costumam falar alto. Mas, tudo isto, não passa de uma graça, sem graça, e fora de contexto.
O país que temos é o resultado de portugueses positivos e portugueses negativos, do que resulta uma média de portugueses assim assim ou, pouco mais ou menos, talvez a tender para o menos, por causa dos tais mais negativos. Que ainda são muitos, infelizmente.
De qualquer forma, o país já sofreu muitos abanões, de maior ou menor dimensão, mas sempre sobreviveu, graças aos portugueses positivos, que souberam abafar as vozes do desânimo, e até da revolta, quantas vezes dos que mais contribuíram para o abanão. Isto é de décadas e não de agora, pois o que se passa actualmente, não é mais do que uma reposição de cenas já vividas, com outros actores e outros cenários.
Interessante é que, pelo que vamos lendo e ouvindo, quem mais se insurge com a situação actual é, precisamente, quem mais de perto conviveu, resta saber se foi só isso, com os tais actores que já saíram de cena, e dos quais receberam a herança que se está a revelar desastrosa para todos nós e, ao que parece, a cair dentro das nossas próprias algibeiras.
Quer isto dizer, lá na deles, que se consideram as maiores vítimas deste abanão, exigindo explicações a quem lhas devia pedir a eles. Quem anda de boa fé em tudo isto, só pode pedir que venham de lá as averiguações feitas por quem de direito, averiguações que não se fiquem apenas pelos inquéritos e pelos paleios do costume. Já é tempo de se saber quem quer a verdade e quem apenas pretende que ela seja disfarçada, através de expedientes que apenas visam desviar a atenção para outros protagonistas.
A verdade é que não se podem ignorar os antecedentes deste e de outros abanões, porque o histórico sempre foi um excelente factor de análise e de prevenção de acontecimentos de qualquer espécie. Ora, analisando quem andou à volta do cataclismo nas suas origens, tem de estar bem ciente de que não pode estar eternamente a disfarçar-se no meio da multidão. E o país não pode permitir que eles gozem do privilégio de se fazerem sucessores automáticos, porque não estamos em monarquia, do reino que tão profundamente nos tem marcado pela negativa.
Portanto, mais do que pretender fazer marcha atrás, seja lá no que for, é necessário ter sempre em consideração, qual a origem dos senhores que se seguem.