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afonsonunes

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06 Jan, 2014

A FORÇA DO EXEMPLO

 

 

Como não tenho o privilégio de ser uma pessoa importante, durante o dia de ontem, não proferi nenhuma frase bombástica sobre a vida ou a morte de Eusébio. Mas ontem, guardei silêncio absoluto em sinal de luto.

Como é sabido, as pessoas importantes dizem coisas bonitas mas, muitas delas, subjugam essas frases ao que lhes interessa realçar, das qualidades do falecido. Se nos detivermos sobre algumas delas, não teremos dúvidas.

Não está em causa a veracidade dessas frases, ou o seu conteúdo quanto às qualidades, mas as escolhas que cada uma dessas personalidades faz, para se pronunciar. A modéstia, a solidariedade, o consenso, o exemplo…

Tudo qualidades muito bonitas, no caso, verdadeiras, mas por que motivo, essas personalidades não praticam, ao longo das suas vidas, essas mesmas qualidades levando, com o seu exemplo, à sua prática generalizada.

‘Sigamos o exemplo do Eusébio’, ‘Eusébio era consensual’, vi escrito e reproduzido na comunicação social, além de muitas outras frases. Já tinha acontecido o mesmo, com Mandela e com as práticas do Papa Francisco.

Não estou a fazer comparações entre estes três colossos mundiais. Estou a salientar a hipocrisia de quem aproveita sempre o bom que acontece no mundo para se mostrar, mas não se emenda em relação ao mal que faz.

Eusébio está neste momento a caminho da sua última morada. No funeral, vejo muita gente vestida de negro. Não vi, eu não vi, ninguém com uma gravata vermelha, encarnada, laranja ou verde. Não combina com o preto.

Mas vi, um repórter da televisão pública, todo vestido de preto, com uma gravata azul clarinha. Pode ter sido mau gosto nos ‘condizeres’. Mas também pode ter sido um sinal claro de uma solidariedade sincera.

As forças que se movimentam no futebol, com muitas ramificações nefastas para o país, podiam ser canalizadas para o bem comum. Assim o teria feito Eusébio, se tivesse sido grande na política, como foi no futebol.