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afonsonunes

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Realmente temos de convir que algo vai mesmo muito mal no mundo da bola, causa de um mal-estar generalizado nas bancadas, e de um clima de bocas foleiras no meio das ruas por onde passam os inconformados, com as estratégias ditadas pelos grandes.
O problema é muito simples. Anda muita gente com a bola agitada, só porque apareceu um técnico que quer revolucionar todo o sistema que esses citados grandes insistem em manter, contra a vontade de todos os intervenientes do jogo. Jogo que pode ser limpo e transparente, se deixarem as tretas atrás das costas e seguirem a doutrina do grande inovador e pé de gago, agora na crista da onda.
Como toda a gente sabe, ou devia saber, no sistema que os grandes mantêm, há onze titulares, mais de outros tantos suplentes, um treinador titular, mais dois suplentes, um árbitro titular, mais três suplentes, e ainda os apanha bolas que não são gente nem nada.
Ora, isto não pode continuar, defende o técnico que descobriu o poder dos injustiçados suplentes. A partir de agora, toda aquela gente passa a titular, tendo garantida a maçaroca do nível mais elevado, no sistema extinto, por decisão irrevogável da classe única e indivisa da bola no ar. Excepto os apanha bolas, que não são nada, nem ninguém, logo, vão para a bancada a aprender o que nós não estamos dispostos a ensinar.
Como é de calcular, os grandes estão inconsoláveis, pois não estão a ver como é possível serem todos titulares, lamentando a situação injusta dos apanha bolas. E os quatro árbitros, todos a apitar a mesma falta ou, uns a marcar canto, enquanto outros assinalam penalti? Isto só pode ser uma sinfonia de parvoíce, pensam os grandes, preocupados com a maçaroca, que lhes vai sair dos cofres.
Nada disso, refuta o grande inovador. Eu é que tenho o saber, logo, só eu é que posso falar a sério, ou não representasse eu, e só eu, toda a classe una e indivisível dos titulares da bola ao ar. Mas, eu explico tudo direitinho, porque a gente bem vê que os grandes nem mandar sabem.
Nós já criamos o comité central, constituído pelo guarda-redes central, pelo defesa central, pelo médio central, pelo avançado central e pelo árbitro central. Logicamente que eu, como técnico central, presido ao comité central, a quem cabe decidir tudo. Mas mesmo tudo, em reunião aberta do comité.
Já sei que estão ansiosos por saber como vamos jogar dentro do campo. Muito simplesmente, são todos titulares. Onze a correr, quatro a apitar, oito a apanhar bolas, quatro maqueiros e eu a controlar. Aí estão vinte e oito titulares. Agora digam lá onde é que está a dificuldade. Só os grandes é que não querem ver.
Com esta facilidade toda, acabamos com os suplentes e, como é lógico, também acabámos com a questão das cotas, para que os sócios nos aplaudam. E, muito importante, nós só recebemos notas, não damos nada a ninguém.