Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

04 Jan, 2009

É a vida!...

 

 
Esta, é daquelas expressões que talvez não haja ninguém que a não tenha já proferido. Não revela propriamente uma atitude combativa contra qualquer contrariedade da dita, antes parece demonstrar uma acomodação ao destino e aos desígnios da sina de quem a profere. É uma espécie de desistência de algo que nos achamos incapazes de conquistar, ou alguma coisa que já está perdida antes de lutarmos por ela.
Porém, quando entramos num campo de batalha, sabemos de antemão que podemos perder ou ganhar, que podemos vencer ou morrer. Se lutarmos por uma causa, até podemos morrer e a causa acabar por triunfar. Há causas que bem mereciam esse sacrifício, mas são poucos os que seriam capazes de tal acto de defesa de um ideal, por mais puro que o considerem. Também isto, é a vida.
Nem sempre se pode estar de acordo, quando se conversa com alguém, ainda que esteja um país suspenso dessa conversa. É a vida! … As palavras são minhas, mas a inspiração vem-me de alguém muito mais importante que eu, pois foi desse mesmo modo que terminou um desabafo seu, de teor semelhante. Tão importante, ou mais, que a personalidade, é o sentido, talvez de humor, talvez de desilusão, ou ainda de desânimo, pelas consequências que ela própria atribui às origens e desenvolvimentos da matéria em desacordo.
Há estados de alma que são extremamente difíceis de exprimir, assim, em seis letrinhas apenas, a que basta acrescentar um ar enigmático, um sorriso muito leve e um olhar um tanto descaído para baixo. Com as mesmas seis letras, podia mudar-se, de todo, o sentimento interior. Bastaria dizer: É a vida! … - soltando ao mesmo tempo, um riso maroto, um ar galhofeiro e um olhar atrevido, ou até um disfarçado piscar de olho.
Em ambos os casos, é a vida. Preferiria pensar que são percalços da vida, que só acontecem a quem não faz, nem quer mesmo fazer nada. Porque a vida, para quem for capaz de a viver e de não estragar a vida dos outros, tem muito mais coisas úteis e interessantes, para além de discussões de toma lá, dá cá, que só servem para ocupar tempo, que é dinheiro, além de gastar também o dinheiro que falta a muita gente.
Chega um tempo em que é preciso arregaçar as mangas e dizer muito claramente: Vamos à vida! ... Porque a vida, não é. Seria uma cómoda beleza se a vida fosse, apenas por si própria. Era sinal de que nós nada tínhamos a fazer. Contudo, a vida somos nós que a fazemos. Tanto quanto possível, em luta com o trabalho digno e sério, dentro das regras que a sociedade impõe a todos os cidadãos. Que devem lutar pelos seus direitos, quando alguém os ignorar. Mas, a luta da retórica e da verborreia constante, só conduz à violência, a mais miséria e ao regresso ao passado, que alguns saudosistas ainda sonham ver de volta. Mas, presentemente, parece ser muito mais provável o risco de violências de outros tipos. Que podem começar por aí.
Como nada está apenas na minha mão, eu repetiria que, infelizmente, é a vida.