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afonsonunes

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Os nomes dos grandes decisores e, ou, influenciadores da vida nacional, gastam-nos a língua de tanto falarmos deles. É uma coisa que assume foros de desperdício, se atentarmos em tudo o que se diz e escreve a seu respeito. Justificadamente ou não, os seus nomes são invocados a toda a hora e em qualquer lugar, quantas vezes em vão.
Pela parte que me toca, já me cansei disso e, vai daí, tive uma ideia luminosa. Arranjei-lhes uns nomes mais maneirinhos, sem tocar em nada mais, nomeadamente, nos seus defeitos ou atributos. Isso aí, eu não quero meter prego nem estopa, ou não fossem eles cidadãos de primeira água, talvez cristalina, talvez destilada, quiçá lisa ou gaseificada.
Jo-so, é um maratonista universal, sendo vulgar vê-lo a dar à sola em qualquer parte do mundo mas, mais frequentemente, por cá. Já há quem diga que o país é pequeno para as suas corridas, daí que ele entenda necessário fazer mais auto-estradas e mais pontes de grandes dimensões, para nelas ir fazendo o que não consegue fazer no trabalho: transpirar, vulgo, suar.
Ma-le, tem um pequeno problema. Só consegue fazer umas corridinhas, acompanhada do seu cágado de estimação e, frequentemente, com a companhia do caracol do seu jardim, que já nasceu cansado. Mas, apesar disso, diz alto e bom som, que ainda é capaz de romper meias solas dos seus ténis de cetim, cor de laranja, quase a tender para amarelo desbotado. E, não tem dúvidas. Ela também diz que ainda é capaz de ser mais rápida que um maratonista que ela diz conhecer de ginjeira.
Je-so, é um homem oficinal de têmpera semelhante à do ferro, com muito mais força nos braços que nas pernas, por causa da musculação diária nos ajuntamentos. Daí que não queira nada com corridas. E não se importa mesmo nadinha de dizer que até tem raiva a quem passa a vida a correr, para fugir das suas obrigações. Por causa disso, não se cansa de exigir uma mudança de estratégia, trocando as corridas por umas marchas mais lentas e acompanhadas de sonoras palavras de ordem.
Fr-lo, nome difícil, este. Talvez o seu padrinho fosse de descendência do sol nascente, a avaliar pelo nome que deu ao afilhado. Mas, em tudo o resto, nem pensar, pois é português e não é gago. Fala até perfeitamente, com a ajuda de um braço, que dá uma expressão magnífica às suas clarividentes dissertações oratórias. Aliás, é esta a sua especialidade. Um autêntico maratonista da palavra, que não das pernas, que isso, poderia ser interpretado como plágio do seu inimigo de estimação. Falar contra quem corre, sim. Fazer corridas com ele, ou como ele, nunca.
Pa-po, nunca desejaria ser um papo-seco, e basta-lhe olhar para o espelho, para constatar que não o é mesmo. No entanto, tem algumas desconfianças de que há quem tenha dúvidas. E, desconfianças e dúvidas, são o melhor ponto de partida para uma digressão oral, sempre bem recheada de adornos linguísticos inflamados, preferencialmente, sobre corridas perdidas e quedas iminentes, por causa das sapatilhas do maratonista.
Somos um país de atletas, com alguns maratonistas, muitos carapaus de corrida, mas também ainda temos, infelizmente, corredores de pé descalço.  

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