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afonsonunes

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A pergunta é muito pertinente, a avaliar pelas vozes que já se agarram a todos os santinhos e à memória do velho ditador, para justificarem a indignação que lhes mina o pensamento contra o governo e os governantes. Sem entrar em juízos de valor, e sem me pronunciar quanto ao facto de concordar ou não com eles, sobre quem governa, gostava de dar um pouco a volta ao texto.

Admitindo eu, e tendo eles a certeza de que o mal está no modo como somos governados, procuro a mim próprio quem é que nos poderia salvar desta espécie de agonia, lenta para uns, rápida e fatal para outros. Nesta conjuntura, qual a personalidade ou o partido que dá garantias de que, com eles, isto seria um céu aberto.
Em teoria, todos eles, não há dúvida. Mas se olharmos para o passado, verificaremos que, os que tivemos, foram um desastre. Quem tem a memória curta já se esqueceu, claro. E até os que nos deram essa prenda, já estão dispostos a repetir a proeza. Gente boa, como diz um cómico nacional. E valente, corajosa e audaciosa, acrescento eu.
Na realidade, depois de um ou outro oásis, e depois de um mergulho a pique, veio uma ditosa e badalada ‘recuperaçãozinha’, após a qual estamos a caminho de novo mergulho. Dizem que é um mergulho numa situação excepcional, porque vem de fora. Pudera, todos os mergulhos são de fora, para dentro de água, ou não será?  
Então, quem estará em condições de nos salvar desta propalada agonia, resultante de tantos mergulhos, alguns deles em piscinas secas? Farto-me de olhar para a frente e para os lados, mas nunca olho para trás. Diziam os sábios de outrora que, para trás, mija a burra. Ora, a minha experiência diz-me que, com esses, já não podemos contar e, aqueles que a minha vista alcança, já são mergulhadores profissionais, com os fatos próprios já vestidos para avançar imediatamente. Água não lhes falta pela frente.
Há quem diga que o país está radicalizado e que assim não é possível mudar nada. Eu diria que as ideias radicais fazem falta para fechar os olhos e sonhar com coisas boas e bonitas. Algumas. Mas, para resolver a vida com elas, é preciso que sejam mesmo muito pouco radicais. Por causa do dinheiro, obviamente.
E o mais curioso é que, neste nosso estado de hibernação do desenvolvimento, até já aparece aquela gente que sempre foi conservadora, com corajosos discursos radicais, quando determinados sectores mais radicais, estão agora a tomar uns sedativos conservadores. Por este andar, ainda veremos em ambos os lados, uma forte possibilidade de fundir radicais com conservadores, para dar uma espécie de híbridos da política.
E porque não? Dizem que nas máquinas está a resultar. Não será o homem uma máquina também? Há quem diga que sim. Portanto, em frente com a ideia, pois quem sabe se não está aí o fim da nossa agonia secular. Enfim, a nossa salvação.