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afonsonunes

afonsonunes

09 Jan, 2009

Assim, podem bater

 

 
Normalmente, bater é sempre feio e revela mau feitio de quem bate, além de atrair sobre si a indignação de quem vê bater. Mas, há muitas maneiras de bater como, por exemplo, aquele dito popular que nos lembra que, numa mulher, nem com uma flor se bate. Também há quem seja capaz de bater com a porta no momento certo mas, aí já é preciso ter coragem, ou não possa esse bater, ser um acto de dignidade.
O acto de bater, não pode ser de natureza física, para ser aceite, tanto por quem leva, como por quem assiste. Tem de ser muito bem justificado, para ser compreendido e não se converta em boomerang traiçoeiro. Logicamente, que falo em bater verbalmente e, nesse campo, não há dúvida, que muito nos compete fazer.
A violência verbal é, como todas as outras, uma arma muito perigosa, que se dispara facilmente, mas de consequências imprevisíveis, se o disparo for feito de olhos fechados, que é como quem diz, sem seleccionar cuidadosamente o alvo.
Também não basta apenas apontar para o alvo previamente escolhido. É indispensável que o alvo a abater, ou no qual se queira simplesmente bater, seja cuidadosamente estudado, a fim de que não haja um ricochete pernicioso, que tenha um desfecho contrário àquele que se pretendia.
Em política usa-se e abusa-se de bater. Não só entre os políticos, mas também entre os apaixonados fãs de uns, e os exacerbados amigos de bater desalmadamente naqueles de que não gostam, por causa das suas divergências. Todos convencidos de que quanto mais baterem no adversário, mais convencem os neutros a aderir às suas hostes.
Para bater é preciso ter argumentos, senão alguém estará a arranjar lenha para se queimar, pois não basta dizer que aquele é mau, e eu é que sou bom. Não basta usar uma linguagem violenta, para convencer gente pacífica. Não é possível convencer os outros de que temos razão, só porque insistimos, só e apenas, em que os outros não têm razão.
Até pode a nossa razão ser melhor que a dos outros, mas temos que o demonstrar com factos que os outros entendam. Caso contrário, estamos a bater em nós próprios. Como diz o povo, quando se fala de amores e violência, quanto mais me bates, mais gosto de ti. Bem me parece que este pensamento está completamente fora de moda, mas apenas no que toca ao amor.
É por isso que não é difícil verificar que há, e sempre houve, políticos aparentemente odiados pela opinião pública que, nos actos eleitorais, parecem renascer das cinzas e surpreender quem passou a vida a bater, tantas vezes de modo a desacreditar-se a si próprio. E, quem se desacredita a si próprio, está a dar crédito a quem dá combate, e a quem julga que destrói, com os seus excessos de linguagem e de nebulosos equívocos.
Quem tiver boa voz e boas razões, que bata sem dó nem piedade, em quem o mereça. O mundo bem precisa de gente que fale alto e bom som, contra tudo o que impede que haja verdadeira justiça social, fonte de todos os males que cada vez mais nos ameaçam.
Também diz o povo, que a verdade é como o azeite, pois vem sempre ao de cima. Mais tarde ou mais cedo, quem ignorar isso, está a derrotar-se a si próprio.