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afonsonunes

afonsonunes

11 Jan, 2009

Diga!...

 

 
Perante uma ordem tão imperativa ninguém é capaz de ficar calado, até porque foi a necessidade, ou a vontade, de dizer qualquer coisa, que ali levou o perguntado. A ordem nem tem nada de estranho, especialmente, se for pronunciada de uma forma melodiosa e gentil, acompanhada de um sorriso que nos leve a sorrir também. Mas, nesse caso, tinha de retirar dali o ponto de exclamação.
O desagradável da questão está, precisamente, na entoação que o ponto de exclamação representa nesta história de boas e más maneiras. Há tantas e tão variadas formas de nos levar a dizer de nossa justiça, que até um simples e silencioso olhar é bem mais convidativo que o irritadiço, diga!...
Compreende-se que esperar ouvir dizer, bom dia ou boa tarde, umas dezenas ou centenas de vezes ao dia, a um funcionário que já chega cansado ao trabalho, seria pedir-lhe um esforço inaudito, que poderia ser interpretado como uma violação dos direitos humanos. Mas, que diabo, um olhar interrogador, mas sereno, talvez já fosse uma compensação razoável para quem espera minutos, ou horas numa fila de refilões.
Não há discriminação nenhuma acima, pois a cena também acontece com funcionárias, algumas delas em confronto arrepiante com a cara que nos apetecia ver do lado simpático, porque lhes daria logo uma verdadeira aproximação àquilo que, certamente, elas próprias querem parecer lá fora.
Sexos à parte, também há a célebre frase, próximo… Ou, quem está a seguir… O problema é que também nós, à custa de ouvirmos essas frases repetidas inúmeras vezes, antes de chegar a nossa vez, também ganhamos aquele ar de poucos amigos que, não raras vezes, já estamos a revelar, sem que ainda nos tenha sido perguntado nada.
Quando assim é, junta-se a fome com a vontade comer e então é esperar para ver. Sim, é então que deveríamos ver intervir um, ou uma dirigente, ou chefia, paga como tal, depois de avaliada para essa função. Mas, por mais que olhemos para lá do vidro que nos separa do interior do serviço, só vemos abstenção e desinteresse pela normal ocorrência que se desenrola ali ao lado ou à frente.
Contudo, nem sempre é assim, pois já vamos a muitos lados, públicos ou privados, onde a primeira preocupação de quem nos atende é descobrir o nosso nome, para depois o repetir exaustivamente, com toda a atenção e amabilidade, a ponto de ignorarmos qualquer deficiência de informação que pretendíamos.
É bem verdade que todo o burro come palha, desde que lha saibam dar. E, nem sempre é tarefa fácil, porque os burros têm a fama, e o proveito, de serem muito teimosos, frente à palha que lhes pretendem dar.