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afonsonunes

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O senhor Cardeal quer diálogo na educação. Também eu e, provavelmente, todos os portugueses. O senhor Cardeal quer ir para o Céu. Também eu, tal como querem, certamente, todos os católicos. Os senhores sindicalistas querem diálogo. Mas ainda só fizeram exigências. O ministério quer diálogo. E, ao contrário dos sindicalistas, já fez algumas concessões. Mas não chegam para acabar com os monólogos, nem com os sentimentos de culpa, mais ou menos explícitos, ou muito mal disfarçados, nas desculpas esfarrapadas, repetidas até à exaustão.
Então, para que anda tanta gente a falar de diálogo? Ou será que não sabem o que significa essa palavra-chave da nossa língua e da nossa maneira de estar na sociedade? 
Parece-me uma exorbitância gastar o dia de Natal a falar de um conflito laboral, que não é maior nem menor, que tantos que andam por aí a ferver sem, contudo, merecerem a atenção de tantas personalidades que até nem são capazes de dizer abertamente, quem é que deve dar razão a quem.
O facto de haver cento e tal mil a reclamar razão, não é diferente de haver seiscentos ou setecentos mil a reclamar a sua razão, caso do funcionalismo, mais os milhares de médicos, mais os milhares de militares e polícias, mais os milhares dos transportes, mais, mais e muito mais.
O senhor Cardeal só se lembrou da educação na sua mensagem natalícia. Espero que não tenha sido só pela falta de educação a que temos assistido. Se é por causa das crianças, que seria delas sem médicos, sem funcionários públicos, sem polícias e sem transportes, para não me alongar mais.
Neste Natal, especialmente neste, havia tanta gente a merecer uma atenção especial mas, já que não era possível lembrá-los todos, parece-me que era preferível não citar casos em concreto, sobretudo, para mostrar que quer estar apenas de bem com Deus, já que isso não acontece, se pede o impossível, se não arrisca o seu lado da razão, além de dar azo a que ambos os lados o tomem como aliado.
Ao longo dos trezentos e sessenta dias do ano estamos habituados a ouvir muita coisa que não adianta nem atrasa a nossa vida, banalidades que só servem para confundir em lugar de esclarecer. Palavras que não correspondem ao seu sentido real, discursos que não podem traduzir sentimentos íntimos de quem os profere. Atitudes que não dignificam quem as toma, sobretudo, quando o cidadão comum tem elevadas expectativas, em relação a quem as toma.
Se o desejo máximo de qualquer católico é ganhar o Céu, parece-me que se vai tornando muito difícil consegui-lo, porque sempre ouvi dizer que o Céu é verdade, é justiça e é igualdade. Entre todos os homens. Homens de boa vontade.
Se tudo isto falta num dia de Natal, então já não há educação que nos salve.