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afonsonunes

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Afinal o apito nunca mais dá o encontro por terminado e assim, a bola lá vai rolando à maneira e ao ritmo de quem constitui o centro de um sistema central, que origina superfícies frontais sucessivas, sempre de modo a provocar chuvas de arrelias, trovões de descontentes e tsunamis de conversas delico-doces, tudo ao passar os túneis de todas as tempestades.

Isto dos apitos é muito complicado, até porque são de ouro e os seus silvos demasiado graves, daí que estejam sujeitos à cotação permanentemente especulativa do vil metal, por causa dos apetites gananciosos dos controladores de apitos e ‘apitadores’. Entretanto, como o jogo nunca mais acaba, vai-se chutando para fora, vão-se marcando uns pénaltis e anulando uns golitos, para dar animação aos apitos e à malta.
Depois, há o controlador mor, que serve para comandar todas as jogadas, principalmente, aquelas em que há faltas mal feitas e faltas bem feitas. Ele tem sempre uma maneira de transformar as mal feitas em bem feitas, e vice-versa, dependendo da cor dos óculos escuros que usa no momento.
Há quem diga que o controlador já conseguiu calar o apito lá fora, deixando de molho o apito cá de dentro. E que ninguém fale alto nem critique os apitadores, porque ele não tolera que lhe digam, o que dizem aos governantes. No mundo da bola é tudo muito pudico. Nem sequer se podem tratar por tu, senão, levam logo multas e suspensões. Até os melhores, os que tratam a bola por tu, são sempre os mais lixados.
O controlador tinha aí um brasileiro ao seu serviço, do qual sempre disse maravilhas e relevou a sua independência e até a sua boa teimosia. Afinal, agora que ele rumou a outras bandas, diz que nunca percebeu o motivo da não convocação de um determinado fulano. Cá no meu entender, o controlador deve ter-se sentido altamente frustrado, por terem passado uns anitos em que não conseguiu controlar alguém.
E é assim que a bola lá vai rolando, o sistema de controlo vai de vento em popa, o apito só toca quando Deus quer, e os túneis estão cada vez mais movimentados e divertidos, com jogos florais e cartolinas vermelhas no final dos outros jogos. Como tudo isto é muito, muito cultural, o controlador e seus controlados, podem dormir descansados que, para eles, nem sequer há uma ‘asae’ incomodadora, perturbadora, ou exigente.
Porém, há uma coisa que está a preocupar quem é desconfiado por natureza. Confesso que não é o meu caso, Deus me livre. Mas, se o controlador nunca percebeu porque não jogava quem ele queria, ninguém pode agora garantir que, com um conterrâneo colaborante, no lugar do brasileiro independente e teimoso, as coisas não mudem completamente.
Contudo, do mal o menos. Ponha lá o avançado centro a guarda-redes, ou mesmo um guarda-redes sénior. Mas não caia na tentação de andar a apitar, quando está sentado na tribuna de honra. É que o raio de acção do som do apito, no meio do ruído, é muito limitado.