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afonsonunes

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O anticiclone dos Açores transformou-se subitamente numa superfície frontal ciclónica, virulenta e arrasadora, com opiniões a jorrarem como lava de vulcões que abriram as crateras todas ao mesmo tempo. Também foi assim que se abriram as bocas de quem esperava esta anti-bênção vinda dos lados de Belém, depois dos votos de paz e amizade ali jurados dias antes.

Como acontece sempre nestas coisas, há quem vaie e quem aplauda, quem lhe pareça uma maravilha, e quem ache que foi um autêntico desastre. Isso agora, porque não há ainda muito tempo, a maravilha era a opção unânime, tudo porque ninguém queria perder um milímetro na corrida a poder contar com os açorianos nas importantes campanhas que se avizinham.
Manda a prudência que se avaliem os riscos, se meçam as consequências e se assumam as responsabilidades das atitudes que se tomam. Houve uma larga maioria que se manteve fiel nos três actos de fidelidade aos açorianos, enquanto uma minoria, depois de duas vezes solidária, resolveu optar pela abstenção, à terceira.
Agora, depois da anti-bênção de Belém, parece que poucos são capazes de reconhecer que agiram segundo as suas convicções, preferindo arranjar desculpas para os seus procedimentos. Parece que não pensaram bem no que iam fazer, antes de o fazerem.
Mas, o mais surpreendente, foram aqueles que tendo dito por duas vezes que sim, agora não tenham sido capazes de confirmar o sim, nem de assumir o não. Porque, lá diz o povo, ou sim ou sopas. Presentemente, usa-se o modernismo nim, quando não se tem a coragem de tomar uma posição clara sobre um assunto, lavando as mãos como Pilatos, atirando as culpas para o lado, e armando em donos da razão e da inteligência.
Se os açorianos não merecem essa pretensão, então haja a coragem de lhes dizer que não têm razão. Sem hesitações, sem cobardias, sem hipocrisias. O que não se compreende é que se tenha desprezado e ignorado, por duas vezes, a mensagem vinda de Belém, e à terceira, afinal, ela já era muito importante. Mas não se lhe dá apoio explícito.
Sem fazer qualquer juízo de valor sobre o fundo da questão em causa, parece que a coerência manda que se seja claro, tanto no apoio, como no repúdio. Concordar é sim, não concordar é não. Abster-se, é deixar que os outros decidam por nós. Igualmente incoerente é votar sim, mas não concordar com o conteúdo do que se vota.
 No meio de todo este imbróglio parece ter havido muita obstinação, senão mesmo obstinações de sinais contrários. A primeira delas, ressalta do facto de haver quem não goste de ouvir, a quem não tem obrigação estrita de ouvir. Formalmente, sim, mas não custa muito ouvir, quando se tem todo o tempo do mundo para ouvir a voz dos outros. Sem compromisso, ainda por cima. De certo modo, ouvir, não limita. Acrescenta.
Depois, a obstinação de toda esta gente, ao ter medo dos açorianos. Que obstinação tão pobre. Como se os açorianos, fossem ricos e poderosos para causar esse mal que tanto receiam. Mas, a obstinação maior é a luta da partidarite aguda que, por um prato de lentilhas, é capaz de vender a consciência, a coerência e até a competência de ser capaz de ver bem, aquilo que pode vir a fazer mal.