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afonsonunes

afonsonunes

01 Fev, 2009

Fontes de poder

Começo a ter alguma esperança de não vir a ser muito afectado pela crise que, ainda há poucos dias, era de natureza financeira, depois financeira e económica e, finalmente, de natureza política. Ora, quem o disse, deve saber muito bem o que disse e eu, antes quero uma crise política que uma crise económica. Está visto que a crise, afinal, depende das fontes que nos embebedam com o néctar proveniente das suas generosas entranhas.

Já lá vai o tempo em que as fontes só nos davam água cristalina proveniente de nascentes vindas das altas montanhas ou das profundezas da terra, brotando à superfície sob as formas mais variadas. Eram fontes limpas, tão limpas que ninguém as punha em causa, nem ninguém duvidava da sua autenticidade, geradora de confiança.
Pois é, mas isso era dantes. Hoje há fontes que são autênticas nascentes de veneno, implantadas à saída de terminais de águas residuais, quando não mesmo de redes de esgotos tratados nas mais precárias condições. São fontes impróprias para abastecimento, é certo, mas os incautos nunca deixarão de existir e de beber sem olhar.
A informação também tem as suas fontes, os seus terminais e as suas redes. Tal como a água, nem toda a informação se deve beber em qualquer lado. Até porque as suas fontes não estão sinalizadas com o rótulo de imprópria para consumo. Pior, estão de tal modo dissimuladas, mesmo escondidas e autorizadas a não dar a cara, o que lhes permite dar muita contra informação, quando a seriedade falta e os interesses apertam.
Seriedade e interesses, dois ingredientes cada vez mais explosivos nesta sociedade em que a imaginação se vai colocando, cada vez mais, ao serviço de quem pretende destruir, em lugar de construir, com o pretexto de que a única via é substituir, em lugar de aperfeiçoar.
É evidente que, em determinadas ocasiões, mais quentes e mais decisivas, aparecem autênticas frentes de imaginação criativa de situações e de factos que, quase diariamente, inventam maneiras de semear falsas expectativas, de envolver pessoas e, ou, instituições, em polémicas estéreis e sem fundo de verdade.
É essa fantasia imaginativa que permite depois, através de trocadilhos, às vezes de simples trocas de palavras, subverter completamente o que foi dito por alguém, a quem interessa descredibilizar, ou mesmo abater. É surpreendente, como pessoas supostamente instruídas e letradas, conseguem interpretar a seu modo e no seu interesse, frases de uma simplicidade à prova de qualquer distorção. E tudo isso é aceite e difundido com grande relevo, como se tudo estivesse ‘certinho e direitinho’, levando a pensar que quem o faz, o faz com a consciência cheia de cumplicidade, ou então, não está, de todo, preparado para o que está a fazer.
O espectáculo já começou, apesar de ser evidente a sua antecipação para muito antes das festas que ainda estão longe. Mas, a frente imaginativa já está em marcha, com ideias escaldantes a quebrar cabeças ansiosas de poder, e de poder passar da sombra para o sol, ou de querer ter o privilégio de estar à sombra do poder.