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afonsonunes

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Nunca se viu tanta gente à porta dos estabelecimentos comerciais, dos serviços públicos e de alguns, poucos, cafés e restaurantes. São aqueles ou aquelas que ainda não conseguiram substituir a cigarrada, pela tomada da pastilha elástica de substituição.

A tomada da pastilha tem a vantagem de poder ser chupada sem interrupção da actividade laboral, ainda que haja quem distorça bastante a voz, para não deixar cair a pastilha da boca. Isso também não altera muito o tom da conversa com o cliente ou utente do serviço em questão, já que o grau de percepção é, normalmente, muito limitado.
É de estranhar a compreensão dos patrões/chefes perante as ausências dos fumadores que vão até à porta. Ainda dizem mal deles. Se fosse o contrário, seria bonito. Não faltaria o empregado ou o funcionário, queixar-se de sobrecarga de trabalho pelas ausências injustificadas do seu superior, uma vez que podiam tomar a pastilha, em alternativa ao cigarro. Caso contrário, é mais que justificado que se contratem elementos para ocorrer às substituições dos fumadores, nessas ausências, nem sempre breves.
É evidente que nem toda a gente se limita a ir para a porta. Já houve quem fosse para o casino, e até quem se metesse num avião. Se calhar, por essas e por outras, a lei já passou à categoria de aviso, ficando ao gosto de cada um, fazer o que lhe apetece. Aliás, se há tantas leis com letra morta, porque razão se havia de levar esta a sério?
Espero que ninguém me venha pedir que responda a esta pergunta, pois se o fizesse, era eu que não estaria a ser sério. Até me parece um desperdício, que não se deva completar gostosamente uma refeição de seis euros e meio, saboreando um cigarro, ao mesmo tempo que a bica, incluída no preço. Porque a bica sem cigarro, nem é bica nem é nada.
Depois, temos o grande perigo da dependência da pastilha que, ao pisar-se depois de atirada para o chão, não é o mesmo que apagar o cigarro com a biqueira do sapato. A pastilha fica lá, agarrada que nem lapa, a caminho, à boleia, impedindo até que as solas se gastem. Ora o país não pode suportar mais despedimentos no martirizado sector do calçado, por causa das solas que não se gastam.
Portanto, é melhor deixar tudo como está. Fuma-se o cigarrinho enquanto se come pois, o que não mata engorda e, como enquanto se fuma não se come, poupa-se na refeição. Pelo contrário, mastigar pastilhas cria o hábito de estar sempre a mastigar e, uma vez à mesa, o dente não pára de triturar logo, a factura sobe, e de que maneira.
Por outro lado, a ASAE que já tem tanto que fazer, alguma coisa teria de deixar para trás. Assim, sempre poderá dizer que não está minimamente interessada em perseguir cortinas de fumo, escondidas atrás dos cortinados dos cafés e restaurantes, que são mais que as mães, e onde os filhos delas e deles, sempre podem ir-se habituando ao irresistível cheiro do apetecido cigarrito.
Quem sabe se, mais tarde, não podem até aspirar a uma boa cigarrilha? Pastilhas é que não, pois isso até é foleiro que se farta.