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afonsonunes

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05 Fev, 2009

Pobre Estado

Estou convencido que quase toda a gente dirá que o Estado é muito importante para todos os cidadãos e para a sua vida quotidiana. Contudo, a importância do Estado não é consensual quando se discute o que ele deve fazer na sua relação com esses mesmos cidadãos. Ou o que ele não deve fazer para não interferir com a vida de cada um.

Desta grande diferença de pontos de vista nascem discussões intermináveis, quando não disputas viscerais, que fazem com que ninguém tenha a garantia de que se pode governar em função dos resultados obtidos nas urnas eleitorais. Que são o único barómetro que o povo vê, para sentir que tem alguma interferência nestas coisas complicadas da política.
Os grandes veículos da opinião pública deviam ser os partidos políticos, ou não fossem eles que mobilizam o eleitorado, sendo também os beneficiários dos resultados obtidos, que lhes permitirão subir ao poder, caso sejam os escolhidos pelo voto. Passam a ser os representantes do Estado. E depois? Uma vez ali instalados, logo são contestados por aqueles que ficaram atrás, nas preferências do eleitorado.
Sim, já sabemos que aos derrotados, compete isto e aquilo, etc., mas esquecemos o que compete ao Estado e aos seus representantes, independentemente do juízo que cada eleitor faça da actuação dos eleitos. E do juízo que os representantes do Estado façam da sua própria actuação. O Estado tem regras de funcionamento definidas, que não podem funcionar segundo o arbítrio das conveniências de momento, ou das conjunturas que beneficiam ou prejudicam.
O Estado não pode servir apenas para ser o bombo da festa de uns tantos cidadãos, em maior ou menor número, com mais ou menos razão para se sentirem prejudicados. Também para isso o Estado proporciona meios de defesa dos cidadãos a quem o próprio Estado tenha prejudicado ilegalmente. Pois, ilegalmente, porque não podemos viver num país onde as leis só são válidas quando nos interessam.
É preciso saber para que serve o Estado, pois se chegarmos à conclusão que o Estado só serve para se dizer mal dele, então teremos que substitui-lo por outra coisa qualquer, que não tenha dentro de si os considerados abomináveis políticos, de qualquer cor partidária, que cada vez mais são contestados.
É que, uma coisa é dizer mal do Estado, outra bem diferente é criticar quem o representa em determinado momento. Normalmente, quem mais detesta tudo o que o Estado faz, é quem mais lá vai buscar aquilo que muitas vezes recebe por vias pouco límpidas. É assim uma espécie de gente que mama, ao mesmo tempo que morde as tetas que chupa.
 Criticar os representantes do Estado é salutar, é legítimo, é conveniente, mas é preciso fazê-lo, não só com a razão que se julga ter, mas também tendo em conta a legitimidade das decisões de quem se critica. Quem representa alguém, só o faz em nome desse alguém, e só deixa de o representar, quando essa representatividade lhe for retirada por quem de direito.
Há quem não entenda nada disto, daí o frenesim em que vive permanentemente. Quando tudo muda, também mudam os frenéticos. Mais preocupante, são realmente os cépticos que não acreditam no Estado, porque ele nunca lhes dará o que eles não vão merecer nunca.