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afonsonunes

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06 Fev, 2009

Os cotas

 

 
É hoje vulgar ouvir dizer a pessoas de quarenta, cinquenta anos, que são consideradas velhas e, no mundo do trabalho, é uma realidade indesmentível. Basta entrarmos em qualquer lado, desde bancos a pastelarias, pois o que vemos são, normalmente, meninas muito novas, com boa aparência, vestindo fardas ou não.
Se há locais de trabalho onde isso é agradável para o utente, outros há em que, à primeira pergunta por ele feita, fica logo com a impressão de que nem sempre a juventude é compatível com eficiência. Tão pouco lhe faz esquecer outros funcionários mais antigos que se foram, ou que mandaram embora. Mas que, realmente, muitos sabiam do que falavam.
Não se pode generalizar, porque também se verificam muitas melhorias, como é óbvio, sobretudo ao nível da delicadeza no atendimento. Porque havia, e ainda há, pessoas de quarenta anos que têm a rabugice dos setenta ou oitenta. Dos que a têm, claro. Contudo há, e houve, um claro desperdício de experiência, que acabou por influir muito na perda de qualidade nos mais variados sectores de actividade.
Esta qualidade, ou falta dela, está bem visível ao nível da actividade política, comprovada em quem nos governou e governa, bem como quem fez e faz oposição revelando, muitos desses protagonistas, uma falta de senso, quando não um notório desconhecimento das realidades humanas que têm de gerir.
Por outro lado, com eles coexistem uns tantos cotas, como a juventude lhes chama carinhosamente, ou não, que não entendem as transformações do mundo e do país, insistindo em retóricas passadistas que só não fazem rir porque tudo o que têm à sua volta e onde pegam, nos toca pelas consequências que nos infligem.
Tudo estaria bem, e o povo diz que no meio é que está a virtude, se houvesse uma troca de saberes entre experientes e inexperientes, de modo que os cotas ouvissem a voz da modernidade da juventude, e esta ouvisse a voz da experiência dos sabidos cotas. Para que tal acontecesse, era necessária muita modéstia e muita compreensão, de parte a parte, de modo a conseguir o tal meio onde se encontra a virtude.
Porém, é muito mais visível a existência de irreverências contra rabugices, como se nem umas nem outras quisessem vergar o braço perante aquilo que consideram ser sempre a defesa do povo que lhes dá os votos, mas que o povo de todo não entende as posições, tantas vezes completamente antagónicas, que deviam conduzir ao seu benefício. Principalmente, quando eles mudam de posição como quem muda de camisa.
Ainda agora se ouvem cotas com montes de bom senso, mesmo de alguns que já estão de fora, porque entenderam que chegou a hora de calçarem as pantufas. Mas, as ideias não se reformam, embora algumas tenham ficado pelo caminho, quando podiam ter sido postas em prática.
Pelo contrário, outros cotas, embora encostados a bengalas novas, mas sem cabeça, já não convencem ninguém, com a sua proverbial rabugice de não aceitarem as pantufas que já mereciam.