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afonsonunes

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Quando as coisas não avançam, ou acabam de maneira insatisfatória para um sem número de permanentes insatisfeitos, vêm logo com o argumento de que tal se deveu a falta de meios para deslindar toda a verdade. O mesmo acontece se essas coisas não se deslindam quase de imediato, como se os meios justificassem todos os fins pretendidos pelos que sabem sempre toda a verdade ainda antes de os factos acontecerem.

Em boa verdade, há quem invente sempre meios disponíveis para as causas que advoga como de resolução imediata, ainda que se utilizem meios que não cabem na nossa ordem jurídica, nem tão pouco no mais elementar bom senso.
Depois da exploração exaustiva de factos e anti-factos, de invenções e presunções, de verdades e mentiras, em suma, semeada a confusão, pergunta-se, finalmente, e agora? Pois, agora, atingido o objectivo perseguido, não admira que se queira dar o passo seguinte, que é tirar consequências do clima que se criou.
É, ao fim e ao cabo, querer o reconhecimento e a aceitação de ilegalidades praticadas, antes que se chegue à conclusão de que se trata mesmo de ilegalidades. Depois, nunca aceitarão que a verdade e a mentira têm rostos distintos, que não podem ser camuflados à maneira de cada um, e que cabe a quem de direito fazer esse reconhecimento.
Manda o bom senso que aqui, não entrem simpatias ou antipatias, não se misturem sentimentos como o ódio e a raiva, ou o amor e a amizade. Aqui, apenas deve entrar a lei que muitos desconhecem, que outros tantos ignoram propositadamente, e que alguns tentam manipular, aproveitando a confusão que criaram.
Mal vai quando quem devia esclarecer, semeia dúvidas, quando quem devia informar, desinforma, quando quem devia sossegar, cria o alvoroço.
As leis têm resposta para tudo isto. Bastaria que quem de direito, reconhecesse o direito a quem o tem, e chamasse à ordem quem não tem o direito de sonegar impunemente, os direitos dos outros.
Tudo isto só parece uma treta a quem anda obcecado com cenários de uma peça que ainda nem sequer tem título, quanto mais querer já impor um enredo que ainda nem sequer foi delineado. Muito menos inventar um final feliz para um espectáculo, cuja sala de exibição ainda está vazia.
Contudo, já temos encenações a mais, que vão permanecendo no ‘suspense’ interno da cabeça de certos realizadores, que nos levam a pensar que é preciso exigir consequências, para que eles as deitem cá para fora, em lugar de continuarem a armazená-las na cabeça com excesso de imaginação.
Além disso, já desperdiçaram tantos meios com curtas-metragens, que temos o dever de exigir que acabem com as fitas inúteis e esbanjadoras que nos têm dado até aqui. Os meios devem servir para produzir obra acabada, e não para adiar ou encobrir enredos que só alimentam a especulação e os especuladores.
Deixem-se de fitas. Cumpram-se as leis. Haja consequências contra quem faz o que não deve, contra quem diz o que não podia dizer, contra quem só diz e faz o que lhe interessa dizer e fazer. Isto não pode ser um país de fitas e de fiteiros. Haja consequências, que já é tarde de mais.