Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

14 Fev, 2009

Namorados

 

Hoje é um dia muito especial para todos aqueles e aquelas que gostam de namorar. Sendo assim, vamos lá à procura de uns namoradinhos que nos encantem, pela sua ternura e pela sua vontade de tornar este mundo cão, num mundo de amor e de afectos próprios de eternos namorados.
É muito difícil tomar a decisão certa sobre quem justifica a primazia na abertura desta página, pouco afeita a gestos e palavras de fazer fechar os olhos e sonhar. Hoje, porém, é dia de fechar os olhos e transgredir, dizendo o que se não diz ao longo do ano inteiro, não sei bem porquê, e escrevendo coisas que ficaram fora do ecrã, fora até do pensamento, incompreensivelmente.
Neste sábado, catorze de Fevereiro de dois mil e nove, dia seguinte a uma sexta-feira treze, há todas as condições para namorar. É dia dos namorados, é dia de descanso para muita gente, é dia de preguiça no trabalho, logo, dia de grande disponibilidade para actividades mais embaladoras e estimulantes.
Mas, afinal, talvez nem eu saiba bem o que é isso de namorar. Penso que será andar aos beijinhos pelos cantos e recantos, ou será apenas passear num jardim sossegado, de mãozinha na mãozinha de alguém, enquanto se pensa em namorar em outro local, escolhido pela imaginação de qualquer dos namorados.
Na minha maneira de ver, o dia dos namorados podia e devia englobar outro tipo de namoros, mesmo sem pensar em casamentos, nem se esses namorados reúnem ou não as condições para se casarem. Casar, pode significar harmonizar, enquanto namorar pode querer chegar à sedução. Ora, pegando nesta ideia, podíamos tornar fácil o que é difícil, ou mesmo impossível, fora do dia dos namorados.
Vamos imaginar que os políticos, masculinos e femininos, concordavam em celebrar este dia, esquecidos dos ciúmes do poder, das quezílias e coscuvilhices permanentes, e até da frequente violência verbal. Neste, ao menos neste dia, mesmo por breves momentos, imaginemos que davam a mãozinha a um dos seus adversários, e trocavam uns beijinhos e uns abraços cheios de ternura, mesmo no parlamento, mesmo em São Bento, mesmo em Belém.
Depois, até podiam ir trocando de par, de modo a enriquecer essas experiências com o maior número possível de parceiros, digo, namorados, fazendo do dia catorze de Fevereiro, um verdadeiro dia de todos os afectos, contrastando com os restantes dias de todos os ódios, ao longo do ano inteiro. A mim, parecia-me extraordinariamente sedutor, ver como eles com elas, eles com eles e elas com elas, ficavam envolvidos em gestos de sedução pura, leal e sincera, ainda que por poucos minutos.
Porque o amor não tem tempo, pode nem ter palavras, mas tem de ter vontade de contacto, tem de sentir desejos muito fortes e tem de ter os olhos fixos em outros olhos, ainda que em silêncio. Ainda que a sonhar.
Estou verdadeiramente perplexo a imaginar uma cena destas, entre os líderes dos maiores partidos cá do sítio. Que melhor espectáculo se podia esperar para um dia dos namorados. E então, aquele par… Seria uma loucura.