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afonsonunes

afonsonunes

15 Fev, 2009

Greve suprema

 

Sempre pensei que os russos são uns valentes, depois de terem conseguido derreter várias camadas de neve que lhes tolhiam a mobilidade. Os russos são muito mais valentes que os americanos, pois estes não conseguiram patinar na neve, nem no gelo, atrás da massa dos bancos que deslizou para parte incerta.
Os russos já conseguiram reguilar mais com Putin, do que os americanos alguma vez reguilaram com Bush, apesar daquele ter uma percentagem de vitórias muito mais elevada que este, quando se meteram em conquistas meio arrevesadas. Há quem diga que Bush só conquistou chatices, enquanto Putin só chateou os vizinhos. Mas há a convicção de que os russos dão mais do que apanham, enquanto os americanos apanham mais do que dão.
Mas, muito mais significativo, embora menos importante, e muito menos grave, foi o facto de os russos já conseguirem fazer uma greve, luta que os americanos já parecem ter perdido de vez, já que, ao contrário dos russos, todos se consideravam ricos e endinheirados. Agora, que também estão na pelintrice, se calhar querem imitar os russos.
Não vai ser fácil, porque os russos são capazes de se absterem, precisamente, porque estavam habituados a privações, enquanto os americanos estavam habituados a gastar à tripa forra. Além disso, enquanto Putin desceu da torre para o leme, Bush saiu borda fora, arrastado por uma onda demolidora que o levou até ao rancho natal.
Mas, cá para mim, os russos são mesmo valentes. Então não é que encontraram uma maneira insólita de, mais uma vez, reguilarem contra Putin? É verdade. Devem ter imaginado que o seu timoneiro se esqueceu de comemorar o dia dos namorados, e vai daí, toca de fazerem greve ao sexo durante o dia em que mais o deviam ter praticado.
Quem é que acredita que os americanos eram capazes de fazer uma desfeita dessas a Obama? Pois, eu sei que não acreditam porque a primeira-dama nunca permitiria que ele fosse para o alto mar, sozinho, nem que fosse agarrado ao mastro do navio.
É claro que os russos são valentes, porque nem sequer se comoveram com as lágrimas das russas, que se viram privadas de uma comemoração tão importante, tanto mais que o gelo e a neve apenas as puxavam para debaixo dos edredões e dos cobertores eléctricos que, de nada serviam, sem o calor do sexo dos russos, que se atreveram a navegar contra Putin, provavelmente indiferente e não abstinente.
É caso para dizer, mas que greve tão difícil de controlar. Foi uma greve sem piquetes, onde não se viram trabalhadores contra patrões, nem se reclamaram aumentos de coisa nenhuma. Pelo contrário, todos os russos devem ter sentido uma forte retracção do membro grevista, de tal forma que fica a dúvida, se a recuperação não virá a ter ainda consequências negativas no próximo dia dos namorados.
Esperemos que este tipo de greves não viaje da Rússia até cá, porque tenho quase a certeza de que teríamos por aí um forte surto de fura greves. E o que mais me preocupa é que, todos os portugueses, ainda mais valentes que os russos, diriam que a greve havia tido uma adesão de cem por cento. No entanto, o nosso Putin, um pouco ao jeito americano e mergulhado em forte contestação, diria que tinha namorado, mesmo no alto mar, agarrado ao seu leme, saboreando uma adesão à greve, de zero por cento.  
Só as vítimas, se é que existiram, podiam esclarecer este excesso, ou falta de adesão, a esta greve sexual.