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afonsonunes

afonsonunes

16 Fev, 2009

Que há medo, há

 

Há um ditado popular que diz que quem tem cu tem medo. Sinceramente, eu acredito que o ditado corresponde à realidade, só não percebendo porque razão se faz tanto mistério e tanta estranheza para confessar uma evidência destas. O medo está relacionado com o cuzinho de todos nós, tanto que já temos ouvido casos em que alguém se borra todo por causa do medo.
O medo é provocado por um perigo real ou aparente e, pelos vistos, em situações mais delicadas, desce toda a espinha e vai ali desaguar, mesmo no fim da linha. Mas, o medo não é uma tragédia, como alguns medrosos de trazer por casa querem fazer crer. Como referi, pode ser provocado por um perigo real ou aparente.
Ora, se o perigo for real, não vale a pena ter medo. Sem perder tempo, temos de fugir dele quanto antes, se não conseguirmos deitar-lhe as mãos aos gasganetes e meter-lhe medo a ele. Ao medo. Porque o medo também deve ter cu, logo, também deve ter medo. Nem que seja dele próprio. Também há muita gente que mete medo a si própria.
Mas, se o perigo for aparente, então o caso muda de figura. Até porque os figurantes também são completamente diferentes. O medo deles reside no simples facto de recearem que alguém lhes possa vir a meter medo, antecipando-se a tentar assustar a quem lhes possa vir a afectar a via do fundo da espinha.
Agora estão na moda as picuinhices de uns picuinhas que não têm mais nada que fazer, senão divulgar coisas, uma por dia, o ideal para manter a malta em alvoroço e, sobretudo, com medo que essas coisas sejam verdadeiras. Querem também meter medo a quem fica logo a pensar que lhes pode sair sorte igual na rifa, a si próprio, ou a quem menos deseja que tal aconteça.   
Agora, o que é de estranhar, é que os picuinhas, que tanto reclamam investigações ao que eles dizem já ter investigado, e amplamente divulgado, tenham medo, mas mesmo muito medo, de virem eles próprios a ser investigados, pelos resultados das investigações por eles efectuadas.
Tal preconceito, faz com que se julguem acima de todas as leis, as quais servem para condenar na praça pública, todos os outros cidadãos, menos a eles, arautos de todas as liberdades e isentos de todas as responsabilidades. Mas, também, os maiores comprovadores de que, quem tem cu, tem medo. Só que pensam ter o privilégio de ter um buraquinho diferente dos ofendidos, dos prejudicados, dos julgados por eles, à revelia de todas as garantias constitucionais, que tanto invocam para as suas parvoíces.
Depois, ainda há aqueles medrosos que vivem à custa da sociedade que lhes garante um mundo de comodidades e de faustos, sem qualquer contrapartida produtiva, ou muito reduzida, que se arvoram a todo o momento em arautos de modelos sociais, em arautos de melhor distribuição de riqueza, em arautos da defesa dos pobres e desprotegidos. 
Mas, quando toca a chamá-los a aderir a esses princípios, adeus conversa, que o medo de perder, logo converte todos os argumentos anteriores em defesa do rabinho que treme. E aí, não há nada melhor que acenar com fantasmas, para afastar os efeitos nefastos dos seus medos.
É por isso, principalmente por isso, que há medo. Principalmente, em quem arma em forte, quando não pode com uma gata pendurada pelo rabo. Sem dúvida que há muitos e variados medos.