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afonsonunes

afonsonunes

18 Fev, 2009

Ai a Ota

 

 
Toda a gente pode estar tranquila que não venho reclamar a mudança da construção do novo aeroporto de Lisboa, de Alcochete para a Ota, mesmo sabendo agora que, afinal, havia muita alcochetada escondida contra os otários.
Sabendo como a guerra foi barulhenta e virulenta, olhando para trás, para os barulhentos e virulentos de então, pode começar a fazer-se luz sobre os interesses que na ocasião se defendiam e quem andava à frente dessa santa cruzada.
Afinal, nem sempre é quem acusa que tem as mãos mais limpas. Nem sempre quem mais fala de corrupção, é quem tem os bolsos mais vazios, e até pode precisar de luvas para disfarçar o aspecto das mãos encardidas.
Por mais que alguns incrédulos ainda possam tentar fazer-nos crer, não vivemos num país apenas de gente séria, nem podemos andar descansados por acreditar que a verdade é como o azeite.
Nem por sombras o véu escuro que cobre o país desde há muitos anos atrás, foi retirado para que todos pudéssemos ver claramente a marosca que se desenrola debaixo dele, à socapa, em todos os sectores.
Nem por sombras a verdade vem sempre ao de cima, quando tem pesos enormes a comprimi-la para o fundo dos interesses que a dominam.
Não é difícil verificar, mesmo sem lupa, que o país ainda está carecido de uma limpeza profunda, sobretudo de montes de desconfianças, algumas com fundamento, muitas delas sem qualquer justificação, que não seja o manter de tudo o que ainda nos arruína, e não nos deixa levantar cabelo.
Parece que todos desconfiamos de todos, mas no pior sentido. Os motivos das desconfianças justificadas, não nos preocupam. Até as compreendemos. Até as aceitamos. Porque nós também colaboramos nelas. Também participamos nelas.
Os motivos das desconfianças injustificadas preocupam muita gente. Porque desconfiam que alguém os vai tramar. Desconfiam que alguém os vai desmascarar e prejudicar, retirando-lhes o que não lhes pertence, ou não devia pertencer-lhes.
É por tudo isto que a história da Ota e de Alcochete, se calhar, ainda está muito mal contada, no meio de todos os estudos e contra estudos, por entre as brumas da partidarite e dos interesses empresariais, regionais e até nacionais.
Sei que também eu, estou a embarcar no tal comboio de desconfianças, justificadas ou injustificadas. Mas, o modo como foram obtidos terrenos antes da decisão final sobre a localização do futuro aeroporto, permite pensar que falta ainda escrever o último episódio dessa complicada e triste novela. Resta esperar pelas investigações em curso, já referidas no âmbito da tramóia dos bancos.
A minha maior curiosidade reside em conhecer os nomes dos intervenientes que, mais uma vez, se nota que estavam bem camuflados no meio da lezíria. Pode ser que outras desconfianças, em estado mais avançado, consigam remover o véu escuro que, eventualmente, possa envolver desconfianças mais recentes.
A Ota, definitivamente, já foi. Quanto a Alcochete, tudo indica, ainda pode ter muito para vir.
 

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