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afonsonunes

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Só conheço uma pessoa que não está a ser pressionada neste país que vive à pressão. Essa pessoa sou eu. É certo que ninguém está interessado em gastar o seu latim a pressionar-me, porque não sou eu que mando chover, nem sou eu que descubro seja lá o que for, de qualquer dos casos mediáticos que outros já pré-descobriram.

Contudo, há uma coisa que devo dizer antecipadamente, para que não haja quem tenha ilusões a meu respeito, se um dia, por qualquer motivo, vierem a julgar que me deixo pressionar. Por exemplo, se eu um dia quiser vender um sobreiro, ou comprar um eucalipto.
Podem tirar o cavalinho da chuva que, por mais que disserem que estou a ser pressionado eu, impressionável, com toda a cara de pau, direi que não me deixo pressionar. Porque não sou de ajudar a criar outras pressões, nem sou de tolerar que alguém diga que as pressões que fizer sobre a minha pessoa, tem a mínima hipótese de ser uma pressão com sucesso.
É certo que admito perfeitamente que alguém seja pressionado. O que não aceito é que isso seja sempre crime. Crime é, sim senhor, se a pressão for aceite e resultar na perpetração de um acto que possa prejudicar terceiros, muito mais se der lugar a crime ou actividade criminosa.
Comigo essas pressões não me adiantariam nem me atrasariam, daí que não possa conceber que altos detentores de cargos políticos, cargos públicos ou privados, estejam todos de pernas abertas à espera de serem pressionados, para irem na jogatina dos autores das pressões e, logo a seguir, alguém por eles, vir confessar essas pressões.
Em muito mau conceito se têm essas pessoas quando se propala aos quatro ventos que elas estão a ser alvo de pressões. Mas, nunca se diz se essas pressões resultaram no seu atendimento, ou foram repudiadas e não surtiram qualquer efeito. Nunca se diz quem, individualmente e concretamente, foi alvo de pressões, nem nunca se diz quem as fez.
Vem sendo frequente, alguns sindicatos denunciarem que há trabalhadores sob permanente pressão de chefias e patrões para aceitarem ou não, determinadas situações. Quase sempre vagamente. Não chega dizerem que esses trabalhadores têm medo de falar, com tanta gente a gostar de os ouvir. Nesse caso, calar, é até uma espécie de cobardia. Pois que falem e, se for caso disso, que os sindicatos os defendam depois. Em situações concretas, com pessoas concretas. Senão, teremos de pensar que não há ninguém que tenha a coragem de resistir a todas as pressões, legítimas ou ilegítimas. Ou que há pressões que até dão um certo jeito a quem fala nelas. 
Mas, mais surpreendente, é ver sindicatos ou entidades, gente culta e até erudita, com total autonomia e independência, queixarem-se de pressões vindas não se sabe de onde nem de quem, mas fazendo pressupor que só podem vir do governo.
Mas, será que até essa gente, que não tem que recear represálias, que não depende do governo, que tem toda a liberdade de decisão, não terá a coragem suficiente para fazer o que deve, resistindo e denunciando as pessoas que fazem pressões?
Sinceramente, eu é que não percebo a quem se pretende pressionar, com toda essa conversa, porque só se deixa pressionar quem quer.

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