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afonsonunes

afonsonunes

22 Fev, 2009

O mais poderoso

É frequente ouvir dizer que o presidente dos states é o homem mais poderoso do mundo, talvez porque tem um avião que pode mantê-lo no ar, em caso de perigo, ou pode mandar tanques para qualquer parte do mundo, para mostrar que é ele que manda.

É provável que haja outros motivos, para tanto poder concentrado num só homem, mas tenho cá para mim, que essa visão de dar tamanha honra a um americano, não passa de simples convicção de que só a América é que pode, deve, e tem de ser, a maior em tudo.
Ora por cá, neste canteiro à beira mar plantado, todos sabemos que somos pequenos na dimensão geográfica mas, na dimensão da alma das pessoas, não temos dúvidas de que somos imbatíveis, se esquecermos as últimas desilusões da bola e a crescente contaminação da canalha que anda ao redor.
Em contrapartida, quando se fala de génios da política, somos realmente imbatíveis. Basta olhar para os nossos heróis a dar cartas lá fora, no passado e no presente, cujos nomes me dispenso de citar, para não os deixar encavacados, devido à modéstia que sempre os caracterizou.
Mas olhemos cá para dentro e não tardará que descubramos o homem que mais anda nas bocas de todo o mundo, pela sua influência planetária. Basta dizer que é, indiscutivelmente, apreciado por uma boa parte dos portugueses, que lhe reconhecem vastas virtudes. É odiado por outra parte dos portugueses, que lhe encontram montes de defeitos. É ignorado por uma pequena parte dos portugueses, que são aqueles que ignoram tudo.
Ter admiradores com fartura, ter inimigos figadais, e ter gente que nem sequer sabe que ele existe, é a confirmação plena de que se trata de alguém com muito poder. Se isto já basta para o distinguir, é preciso acrescentar que até há quem tenha medo dele, quem entenda que ele é intransigente e teimoso, que ele tem a culpa de tudo o que acontece cá dentro e lá fora, por tudo o que de mau se passa por todo esse mundo descontrolado.
Se há quem ainda pense que o americano tem mais poder que ele, pense bem na comparação entre os feitos de cada um. Enquanto o americano faz uma ou outra guerra longe do país dele, o português conseguiu pôr o país todo em guerra e está-se marimbando para essas coisas.
Enquanto o americano se limita a combater a crise que herdou, ao português é atribuída a paternidade da crise mundial. E está-se marimbando para essas coisas. O americano tem de entrar com triliões e parece que são gotas de água que lhe rolam pelo capote. O português já distribuiu uns ‘milhõeszecos’, e parece que já resolveu a questão, estando-se marimbando para quem quer mais.
Se o americano correr o risco de ficar desempregado, já sabe que pode pedir ajuda ao português, que está permanentemente a criar empregos, cá dentro e lá fora, numa demonstração de poder que supera de longe o americano, e enerva os arreliados portugueses que o detestam. Mas ele, está-se marimbando para eles.
Depois, pressiona tudo e todos, abafa tudo o que é feio, manda calar todos os que querem abrir a boca, manda estar quietos os que querem descobrir coisas, enfim, um ror de actividades só próprias do homem mais poderoso do planeta. Certamente que a ninguém lhe parece que isto sejam dotes de um americano.
Mas há um português, mais que todo poderoso, que se está marimbando para todas essas coisas.