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afonsonunes

afonsonunes

24 Fev, 2009

Não gozem com eles

 

 
Tive, e ainda tenho algumas dúvidas, sobre quem deviam ser as vítimas de quem anda a gozar com alguém. Para além deles, também aparecemos nós, implicados neste sistema de gozo nacional, que ninguém consegue contrariar. Eles e nós, ora aí está um conjunto de gozados, que diariamente somos atingidos por outros, que nem eles nem nós somos capazes de identificar.
É evidente que não nos compete a nós tão difícil tarefa, até porque não temos os meios que eles têm, mas parece que não querem utilizar, para que nós fiquemos fora desse filme a preto e branco, com o qual eles se divertem à brava. É que, uma coisa é o gozo de quem goza, outra bem diferente, é a tortura de quem é gozado.
Os outros, os tais que gozam principalmente com eles, tudo indica que andam misturados com eles, trabalham com eles, têm os seus segredos conjuntos mas, à socapa, os outros divulgam esses segredos nas costas dos seus parceiros de trabalho, ou parceiros que mexem no trabalho deles e dos outros.
Parece muito complicado, mas não é, se considerarmos que eu é que gosto de complicar um bocadinho as coisas que são fáceis, em jeito de me desforrar dos gozos de que sou vítima.
Vamos supor que eles, são os investigadores que andam à procura. Suponhamos ainda que os outros, são os investigadores que também procuram, mas informam os visados de que estão a ser procurados. Resultado, nem os procuradores encontram quem procuram, nem os procurados se incomodam com os investigadores, porque sabem tudo o que eles vão fazer, antes de o fazerem.
Ora aí está a justificação para eles e nós andarmos a ser gozados pelos outros. O grande problema é que eles, os que procuram calados, não são capazes de descobrir quais são os outros que falam, antes de procurarem aqueles que os gozam, enchendo tudo o que devia dar notícias, com as previsões de procura, que não deixam encontrar nada.
Tenho cá um pressentimento que há quem não tenha entendido ainda, a que propósito vem o gozo dos outros, que sobra para nós e para eles. Pois se eles, os investigadores calados, não conseguem calar os investigadores que falam, só podemos concluir que há ali um gozo qualquer, pois se os procuradores, que são todos os investigadores, não se conhecem, ou não querem conhecer-se, como é que se lhes pode pedir que conheçam os ladrões, os vigaristas, os desordeiros, e também todos os seus consumidores perfeitamente identificados?
Depois, todos eles, gozam com o pessoal, nós, os pagantes de todos estes gozos que nos levam tantas vezes à farmácia, quando não às urgências, para gozar com os que dizem que as taxas são uma vergonha. Maior vergonha é haver quem nos goze, ao ponto de termos de pagar taxas que bem podiam ser evitadas.
Isso só acontecerá, quando os procuradores encontrarem todos os procurados, acabando assim, de vez, com os que gozam e com os que são gozados.