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afonsonunes

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Não vou nem podia ir a congresso nenhum, porque a bodas e baptizados só vão os convidados, além dos que pertencem à família que vai congregar-se. Parece que nestas ocasiões, os congressistas aproveitam para tirar umas coisas a limpo, assim uma espécie de reunir os rascunhos que andaram a escrever durante o ano e toca de os ler ali, perante os familiares mais próximos, que aplaudem, e os mais afastados, que fazem orelhas moucas.

Família sem a sua discussãozinha de vez em quando, não é família nem é nada. E então estas famílias partidárias, por vezes, são o fim. Não é o fim delas, claro, pelo contrário, mas que às vezes parece o fim da macacada, disso não há dúvida. Até dizem que da discussão nasce a luz, mas o facto é que nasce primeiro a desavença e, acidentalmente, lá vai um abraço fraterno quando chegam a acordo.
Tudo porque está institucionalizada a aceitação de tendências dentro dos partidos. Ainda aceito que haja tendências, mas o que não aceito é que haja tendenciosos. Senão, qualquer dia, resolvo inscrever-me como militante, simultaneamente, em dois ou mais partidos. Por exemplo, dentro do PS formaria a tendência social-democrata e dentro do PSD, formaria a tendência socialista. Tendências que até podiam ter outra designação mais conveniente, consoante o nome do tendencioso, no caso o meu. Até gostava de ouvir dizer tendência afonsina.
Depois, quando houvesse um congresso do PSD eu defenderia ali as teses e os ideais socialistas, e faria o contrário, quando fosse a um congresso do PS, defendendo ali a doutrina e as propostas sociais-democratas. Parece que nada me impedia de exercer o meu direito de tendência. E até podia estender as minhas tendências para o lado da esquerda.
Julgo que não estou a inventar nada que se não veja já há algum tempo. Dirão que a democracia é assim e assado, que as pessoas têm o direito disto e daquilo, etc. e tal. Pois é, por isso mesmo, em certos países há quase tantos partidos como votantes. Isso é que é, na minha opinião, uma democracia avançada. Há uma tendência, toca a avançar para um novo partido.
Cá, se querem tendências intra-partidárias, façam precisamente o contrário. Juntem todos os partidos num só, esqueçam lá a UN, e então passam a discutir tudo dentro da mesma sala, olhos nos olhos, acabando com essa coisa muito chata que são os recados, via comunicação social, que às vezes olha mais para uns que para outros, sem nenhuma má intenção, claro, mas isto de estar em todo o lado, é mesmo de todo impossível. Assim, não, era facílimo. Todos os tendenciosos tinham as mesmas oportunidades e todos os jornalistas podiam dizer as coisas à sua maneira, mas com origem numa única fonte.
Mas, fiquem lá todos os congressistas e jornalistas descansados, que eu não vou lá.