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afonsonunes

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Tenho ouvido muitas vezes esta frase ao longo dos tempos, e ainda não consegui perceber o que era que faltava, realmente, a quem pergunta, para perguntar só aquilo que realmente ainda não sabe. Mas também a quem deve responder, o que era que faltava, para dizer que tem mais que fazer, que estar a brincar às perguntas e respostas.

Sim, porque era só o que faltava, fazer a mesma pergunta uma dezena de vezes, embora mudando apenas umas sílabas para ver se pega, esperando que falte a pachorra e lá vai uma escorregadela de humor que, então sim, seria um daqueles furos de fazer subir a água das profundezas da terra, até às suas origens, que são as alturas das nuvens.
Mas também era só o que faltava, ter de ouvir como resposta a essa dezena de perguntas iguais, uma dezena de dissertações perfeitamente iguais, o que me leva a perguntar quem é que tem pachorra para estas entrevistas de molhada. Que o mesmo se pode dizer de certos debates, em que apetece dizer que era só o que faltava, ter paciência para os ouvir.
Há expressões que são quase exclusivas de certas personalidades e com elas mostram muito do modo como alinhavam o seu discurso, mesmo do teor das suas convicções e da natureza do seu estilo de pretender levar a água ao seu moinho.
Diria eu, que era só o que faltava se assim não fosse, pois bem me lembro daquilo que digo e escrevo, caindo nos mesmos males, não sendo eu, em nada, coisa que se pareça com uma personalidade, o que me dá a confiança de me sentir com cem por cento de tolerância.
Mais curioso é o facto de essa frase pressupor que já cá não falta mais nada, ou melhor, que já só faltava mais essa para o quadro ficar completo, quando sabemos perfeitamente, que todos os nossos quadros políticos andam, todos eles, muito desenquadrados, e os pintores que os vão pintando, cada vez parecem ter mais a noção de que ainda falta muito mais, do que essa que julgam que faltava.
Mas, também era só o que faltava, se alguns desses pintores não fizessem uma análise cuidada às tintas que usam, para detectar tonalidades desenquadradas das naturezas mortas, e às vezes já putrefactas, que andam por aí a desenterrar, como se não coubesse aos vermes eliminar o que vai de cima para debaixo da terra. Era só o que faltava se agora o homem vivo se intrometesse no reino dos vermes.
A verdade é que tudo aquilo que ainda ontem faltava, continua a faltar hoje, e vai continuar a faltar amanhã, se as caturrices dos que querem o óptimo, transformado em ideal, não descer ao nível do realizável.
Do mesmo modo, era só o que faltava, se as caturrices daqueles que podem realizar, fossem ao ponto de idealizar aquilo que nós sabemos que não é realizável.
Pois é. Não me levem a mal, mas era só o que faltava, se também eu não alinhasse em conversas de chacha, que não chegam a lado nenhum.