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afonsonunes

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Quando alguém nos quer dar ou vender gato por lebre está a tentar fazer uma trafulhice, e esse alguém não passa de um trafulha, mais ou menos qualificado. Este é um termo pouco utilizado na linguagem vulgar do dia mas, na verdade, tendo em conta o que vamos vendo e ouvindo diariamente, a trafulhice e os trafulhas estão muito mais vulgarizados que o termo que lhes assenta que nem uma luva.
Já estamos habituados aos mentirosos e aos vendedores da banha da cobra, embora se possam enquadrar perfeitamente numa espécie de trafulhice, digamos que é uma espécie benigna, dependendo da qualidade da mentira, ou da banha que nos pretendem impingir. Mas, também depende da espécie de indivíduo que nos pretende levar à certa.
Regra geral, o trafulha é incisivo, acutilante, pois os efeitos que ele causa nas suas vítimas têm um impacto doloroso. Agora imagine-se quando os trafulhas se juntam numa espécie de bando, numa espécie de sindicato da trafulhice, para se atirarem a quem querem neutralizar.
Estes trafulhas estão bem cobertos por montes de dinheiro, pois não há crise que afecte os seus financiadores, nem há desemprego que chegue aos calcanhares de tão fiéis servidores. Normalmente, armam em pudicos cidadãos, cheios de fé e de boa vontade, expressas nos mais sérios actos públicos, onde se mostra o que se não tem, e onde se esconde tudo o que têm dentro do íntimo.
Porém, são eles, os grandes trafulhas, os alvos de todas as atenções, são eles que são notícia e são eles que dão conselhos públicos a quem tinha montes de lições a dar-lhes, mesmo à borla, e com toda a disponibilidade do mundo.
Quem tão benevolamente podia ensinar-lhes a ter uma vida decente, não tem, nem nunca terá voz que lhes chegue aos ouvidos duros. Porque não interessa, não convém, quebrar o círculo vicioso em que se movimenta o mundo, e onde esse movimento giratório enrola muita gente ingénua e sustenta muitos pequenos trafulhas que já não sabem viver de outra forma.
Sim, para muita gente, a trafulhice, ainda que meio encoberta em negócios legais, é uma profissão como outra qualquer, principalmente, se ela serve de apoio à trafulhice de outros senhores maiores e mais poderosos, que bem sabem que tudo o que traficam, é convertido em dinheiro, ao qual ninguém conseguirá dar outra cor, senão aquela com que os trafulhas o pintam.
O pior é que os trafulhas estão implantados em todo o lado, razão porque ninguém consegue meter-se com eles. Basta olhar para a frente, para trás ou para os lados.
Se houver alguém que não consiga vê-los, então, cuidado, muito cuidado, se não for um problema oftalmológico, é um problema de solidariedade profissional.