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afonsonunes

afonsonunes

03 Mar, 2009

Mas fazer o quê

Neste momento deu-me cá uma veneta que dou comigo a braços com esta tarefa de atacar mais uma tirada de alívio da carga cerebral que, volta não volta, se revela demasiado carregada. Que é como quem diz, encontro-me em sobrecarga, correndo o risco de descarregar extemporaneamente, com todos os perigos que isso pode acarretar.

O pior é que alguém é responsável por este meu estado compreensivelmente baralhado, pois a minha capacidade de fazer escolhas é muito limitada. Há quem diga que neste país não se faz nada. Logo a seguir vêm dizer que neste país só se fazem tolices. Ora vamos lá ver se isso bate certo.
No meu curto entendimento, se não se faz nada, nem sequer se fazem tolices. Pelo contrário, se alguém faz umas tolices, muitas, poucas, grandes, pequenas, é óbvio que alguém já faz alguma coisa. Eu sei que há quem não goste de quem não faz nada. Eu próprio, por exemplo. Também sei que há quem não goste de quem faz tolices. Também eu, e se forem asneiras, ainda gosto muito menos.
Mas, vamos lá ver se a gente se entende. É como andarem por aí uns entendidos a reclamar apoios para isto e para aquilo. Logo a seguir vêm outros entendidos, a dizer que o dinheiro desses apoios devia ir direitinho para os bolsos de quem mais precisa. Por mim, de apoios não percebo lá muito, e de entendidos ainda percebo menos. É difícil, muito difícil, entender todos os entendidos. 
Ainda não há muito tempo, eu era um fervoroso admirador de Espanha porque, comparada com Portugal, era o céu aberto, segundo ouvia em tudo quanto botava opinião. Hoje, já não sei no que é que eles estão melhor que nós. Será que o dobro do desemprego espanhol é melhor que a nossa metade do deles? Os entendidos, que não se calavam com constantes comparações entre nós e eles, que respondam.
Como sou um pouco desentendido, gostava que alguns entendidos me explicassem como é que se criam empregos. Será ressuscitar o monstro de que falava um dos seus criadores? Será a apologia da verdade de quem não pode fazer mais que ter pena dos desempregados? Será a deixar falir bancos, para que haja mais falências nas empresas? Será que os bancos e as empresas falidas criam empregos? Será que ressuscitar fortunas que estavam nos bancos falidos, vai criar postos de trabalho? Será que mudar para outras políticas (quais?), como outros entendidos preconizam, é dar o dinheiro a alguém, que resolve de imediato o problema do desemprego?
Não quero fazer mais perguntas, para não revelar mais ignorância, a tantos entendidos que me deixam complexado, diminuído e infeliz, perante esta incapacidade de absorver tanta matéria contraditória, de tantos entendidos que se contradizem e não se entendem, a não ser na constatação do facto de que nem eles, nem eu, temos a verdade escondida na cova do braço. Que é como quem diz, no sovaco. Pois, onde se põe o desodorizante.
Mas eles são entendidos e eu sou ignorante. Portanto, há aqui uma questão de responsabilidade limitada da minha parte. Parece-me que já estou a ir longe de mais, ao tentar fugir com o rabo à seringa, como vejo fazer a quem devia puxar mais pela cabeça. Sim, muito mais que eu, que acho que já puxei mais do que as minhas forças mo permitem.
Sei que há quem queria que se fizesse menos, e há quem queria que se fizesse mais. Por mim, queria que se fizesse muito mais, mas no sentido inverso do que queriam aqueles que acham que se devia ter feito menos.
Já agora, deixem que volte à vaca fria. Haja quem me diga de uma vez por todas: todos vós, os entendidos que podem fazer, e os entendidos que estão impedidos de fazer seja o que for, digam-me o que se deve fazer. Mas, por favor, não me digam apenas, que se deve adoptar uma política de criação de emprego.
Esse segredo, até eu já o conhecia.