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afonsonunes

afonsonunes

04 Mar, 2009

Baralhação

Não. Desta vez não sou eu que estou baralhado, pois há situações que ainda distingo perfeitamente, por entre orientações de uns e desorientações de outros. Do mesmo modo que ainda sei bem como uns se orientam com as desorientações de outros, ou não fosse o velho sistema de esperar que alguém escorregue para eu me levantar de imediato.

Mas há quem caia na esparrela de se deixar levar na onda das suas próprias escorregadelas, deixando a sensação de que já se não aguenta de pé, por mais que vá cruzando os braços e as pernas à espera da queda de quem se presume que vai deixar o pódio vago.
É bem verdade que quem espera desespera, o que faz com que o desespero crie um tremelicar doentio, bastas vezes febril, perturbador do discernimento normal e redutor das capacidades de competição, contra quem se mantém calmo e sereno, mesmo imperturbável, perante alguém que não tem unhas para tocar guitarra a seu lado e muito menos para tocar a solo.
O pior que pode acontecer a quem quer ganhar, seja o que for, é não conseguir manter uma posição de equilíbrio sólido e estável. Isso quer dizer que as suas energias estão a ser canalizadas para outros esforços, que não os da competição propriamente dita. Se o cansaço da competição agita e estimula novas energias, o cansaço do aquecimento competitivo, desorienta e afasta a esperança de sucesso.
Depois, e muito importante, há o problema da equipa onde se está inserido. Sempre se ouviu dizer que a união e a coesão de uma equipa, são atributos indispensáveis para conseguir o alto rendimento que conduz às vitórias.
Sabe-se que qualquer equipa que seja boa, tem de ter um bom líder. E só há um bom líder se ele for capaz de ser reconhecido e aceite sem reservas pelos outros elementos da equipa. Parece que sempre assim foi, pelo menos até há poucos dias, em que se falava de carisma e poder de decisão, mas também de apoio, união e entendimento.
Ao contrário, equipa em que os seus elementos se entregam a querelas constantes e se contradizem quanto às melhores técnicas e tácticas para levar de vencida o adversário é, à partida, uma equipa derrotada. Parece que este entendimento era indiscutível até há bem poucos dias.
Porém, num mundo em mudança permanente, já não é nada disso e, com muita surpresa minha, esta teoria vem, precisamente, de uma liderança fraca dentro de uma equipa descoordenada e em permanentes contradições.
A partir de agora, o êxito está precisamente nesta diversidade de ideias, que vai até à confrontação permanente. Mas isso é bom. Só tenho dúvidas para quem. Esta liderança, que se sente perfeitamente assim, contrariada, acossada, empurrada, assume, coerentemente, que não gosta de líderes que tenham muito apoio à sua volta. Diz que é culto da personalidade excessiva e imprópria em tempos de crise.
É mais uma teoria, entre as muitas que oiço diariamente. Mas, que se não goste, é normal, natural, lógico e compreensível. Ninguém gosta do que não tem, tal como ninguém gosta do que vê no seu adversário. O mais curioso, esquisito, divertido até, é considerar isso prejudicial, neste período de crise. Concluo que se fosse noutro período, de vacas gordas, suponho, já estaria tudo bem.
No entanto, tenho cá para mim, que agora, a baralhação não é minha.