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afonsonunes

afonsonunes

05 Mar, 2009

É assim mesmo

 

Tem-se dito muitas vezes que a União Europeia atravessa uma crise de liderança muito forte, o que justificaria uma actuação menos atempada e menos adequada na crise que o mundo atravessa.
Não sei bem se isto quer atingir o português que lá temos e, no caso afirmativo, se isso corresponde à verdade, ou se é apenas uma campanha para o mandar de volta ao nosso país onde, provavelmente, ainda terá os seus fãs.
Mas, se a crise de liderança se refere aos líderes dos diversos países, então a coisa fia mais fino. Vai daí que o nosso presidente não esteve com mais contenções, nem com mais hesitações, já que a crise é galopante e não se pode andar atrás dela com passo de caracol.
Logo, resolveu rapidamente dar um passo em frente, e dizer que isso de falta de liderança não é com ele, e fez muito bem pois, normalmente, ele não tem nada que se meter nessas andanças ou, pelo menos, não tem ido mais além do que enviar uns simples recados que nem destinatário têm em concreto.
Mas nós temos sabido atribuir o destino desses recados, embora não haja unanimidade nem consenso nessa atribuição. Dessa forma, também a crise lhe tem passado ao lado, mau grado as suas louváveis mas improfícuas intervenções a nível interno.
Talvez por isso, inconformado e muito preocupado, resolveu dar uma saltada lá fora, precisamente, a um dos maiores, senão o maior, centro de decisão da União Europeia. Não sei, mais uma vez, se essa decisão tem a ver com a possibilidade de mostrar lá fora, aquilo que não tenho visto cá dentro.
Convém referir, como justificação, que tenho óculos graduados, logo, a minha visão é limitada, principalmente, quando insisto em não os usar.
Acho perfeitamente compreensível que o presidente sinta necessidade de mostrar os seus conhecimentos lá fora, pelo que já ficou dito, até porque se lhe reconhece uma grande competência e uma enorme vontade de contribuir para erradicar esta tormenta que a crise fez desabar sobre todos nós e sobre todos os de lá de fora.
Além disso, havendo a possibilidade de alguém estar a destruir a imagem do português que é líder nesse amplo espaço europeu, há que mostrar que esse alguém está enganado, e a prová-lo está o facto de outro português, o próprio presidente, estar disponível para dar a receita para a crise.
É isso que está a fazer na Alemanha, onde a crise está a dar muitas dores de cabeça e de onde não saem as habituais soluções para a Europa. Pelo menos não têm saído, esperando-se que depois dos conselhos portugueses que por lá se têm ouvido, as coisas mudem completamente de figura.
Entretanto, com as facilidades de comunicação agora existentes, também se espera que alguma coisa se oiça cá dentro.
Só me resta acrescentar o meu aplauso. É assim mesmo.